Tolerância a Herbicidas

As sementes com tolerância a herbicidas são uma importante ferramenta do produtor para o controle de plantas daninhas, reduzindo o número e o custo das aplicações de herbicidas, resultando em controle igual, ou melhor, em relação ao realizado pelos sistemas de manejo convencionais. A característica da tolerância no caso das sementes transgênicas garante às espécies a capacidade de suportar aplicações de herbicidas nas dosagens necessárias sem alterações marcantes em seu desenvolvimento.

Tecnologia no Brasil

A primeira semente geneticamente modificada tolerante a herbicida passou por uma fase-piloto em áreas representativas da cultura da soja em um processo de colaboração entre diversas instituições no País, o que seguiu por quatro safras consecutivas. Em 2005, com a promulgação da Lei de Biossegurança, foi iniciado o Monitoramento Ambiental, utilizando cultivares registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

A adoção dessa tecnologia foi um passo importante na agricultura brasileira, pois as plantas daninhas competem com as culturas tradicionais por luminosidade natural, água e nutrientes. Especialmente no caso da soja, a cultura tradicional não tem capacidade natural de competir com as plantas daninhas de maneira eficiente nos estágios iniciais de desenvolvimento. Além disso, a ausência de controle das plantas voluntárias dificulta a colheita e tem um impacto negativo sobre a produtividade e também sobre a qualidade da safra.

Pressão de seleção

A adoção de sementes transgênicas no Brasil deve-se muito à eficiência da tecnologia na tolerância aos herbicidas e da confiança que o produtor depositou nessa inovação. No entanto, quando se utilizam os mesmos herbicidas ou ainda herbicidas diferentes, de forma repetitiva, está se exercendo uma pressão de seleção. Essa pressão sobre uma população suscetível acaba selecionando indivíduos com carga genética diferenciada, a qual impede a ação dos herbicidas em uso, e esses ainda poderão transmitir a mesma carga genética aos seus descendentes. No médio ou longo prazo, a quantidade de indivíduos resistentes irá superar o número de suscetíveis. Assim, em resposta à seleção imposta pelos herbicidas usados nas doses recomendadas, a resistência determinará uma mudança genética na população da espécie de planta daninha.

Manejo de variedades tolerantes a herbicidas

A elevada adoção de variedades transgênicas tolerantes a herbicidas exige um manejo específico no controle de espécies daninhas, como a adoção de distâncias de isolamento, e de precauções adicionais no trato com as sementes (atenção ao beneficiamento, transporte e adequada limpeza de máquinas e implementos). Também é recomendável fazer dessecação, uso de rotação de cultura e do princípio ativo dos herbicidas utilizados no controle de espécies daninhas.

Como a tecnologia é eficaz contra a maioria das plantas daninhas anuais e perenes, os produtores conseguem reduzir o volume de herbicida utilizado na cultura, obtendo assim economia de custos para realizar o controle das tigueras (plantas da cultura anterior, principalmente as RR). A redução no volume de herbicidas também tem impacto positivo no meio ambiente ao reduzir o número de aplicações e princípios ativos, além de permitir e facilitar a implementação de sistemas de manejos conservacionistas pelos agricultores, como o plantio direto.