31 out 2017

Produtor de soja fecha parceria com SENAR e UEL para implantar MIP em Londrina (PR)

Produtor José Roberto Mortari (à esq.) antes do plantio da soja para a safra 2017/2018. Foto: Arquivo pessoal

O produtor rural José Roberto Mortari administra duas propriedades na região de Londrina (PR), onde adota rotação de culturas como soja, milho, aveia, trigo e nabo forrageiro. Na safra 2016/2017, o agricultor recebeu visitas semanais de 16 estudantes de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), inscritos em um curso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (SENAR-PR). Na Fazenda Piratininga, de 550 hectares – 100 dos quais de mata preservada –, eles colocaram em prática um projeto de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Entre setembro de 2016 e fevereiro deste ano, as vistorias ocorreram aos sábados, durante o período de desenvolvimento da soja, que é cultivada em 80% do terreno. Os alunos monitoraram cerca de 20 hectares a cada semana, contabilizaram e classificaram as pragas e, então, foi traçado um plano para aplicação de inseticidas. “A molecada ia para o campo junto com um professor do SENAR e usava batida de pano para contar as lagartas. Antes disso, os estudantes fizeram um curso para conhecer melhor a aparência desses insetos e entender que há bichos bons e ruins, pois não queríamos matar os inimigos naturais, que nos ajudam”, destaca Mortari, que também é vice-presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina e planta variedades transgênicas Bt (resistentes a insetos) e tolerantes a herbicidas.

Segundo o agricultor, a parceria não envolveu nenhum gasto extra, pelo contrário: com a adoção do MIP e das boas práticas agronômicas, houve otimização de recursos, redução considerável nas aplicações de defensivos e incremento direto na rentabilidade. “Eles conhecem o assunto e fizeram recomendações ao engenheiro agrônomo da fazenda, que tomou a decisão final. O que foi aplicado na área de MIP se traduziu para todo o terreno. A economia foi muito grande”, avalia.

Mortari conta que uma nova turma de jovens já foi formada há um mês, mas ainda não ficou decidido quando e por onde o grupo vai passar. Na visão do produtor, o projeto possibilitou uma lavoura mais equilibrada e um solo menos compactado, que recebeu pulverizações apenas na fase de incidência de ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) e percevejos. “Foi excelente”, resume o produtor, que é responsável por outra propriedade na região, a Fazenda Nova, de 180 hectares.

Lavoura de soja na Fazenda Piratininga, em Londrina (PR), safra 2016/2017. Foto: José Roberto Mortari
Agricultor também planta aveia (esq.) e nabo forrageiro em sua propriedade. Foto: José Roberto Mortari

Fonte: Luna D’Alama/ Boas Práticas Agronômicas


10 jul 2017

Tire suas dúvidas sobre manejo de resistência de insetos em lavouras de milho Bt

O Brasil é hoje um dos países que apresentam aumento mais rápido na área plantada com milho geneticamente modificado. E o uso do milho transgênico com ação inseticida, popularmente conhecido como Bt, é uma das estratégias mais úteis para o manejo e controle de mariposas da ordem Lepidóptera e de larvas da espécie Diabrotica speciosa, um besouro conhecido popularmente como “vaquinha”.

As plantas transgênicas com atividade inseticida representam uma alternativa dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que busca minimizar os danos causados por insetos nas lavouras. O milho Bt (resistente a insetos) obteve essa característica por meio da introdução de genes da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt). A isso chamamos de evento de transformação genética, ou apenas evento.

O cultivo de áreas contínuas de milho com um mesmo evento resulta em uma grande pressão de seleção. Isso compromete sua eficácia no controle das pragas-alvo, ocorrendo a “quebra da resistência”. Para evitar esse problema, os produtores devem adotar uma área de refúgio, ou seja, uma parte da lavoura cultivada com plantas não Bt (convencionais ou apenas com tolerância a herbicidas).

O refúgio tem como função produzir insetos que sejam suscetíveis às proteínas inseticidas e que se acasalem com insetos resistentes provenientes das áreas Bt. O objetivo final é gerar novos indivíduos suscetíveis, preservando assim os benefícios da tecnologia Bt.

Até a safra 2016/2017, foram aprovados na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) 25 eventos transgênicos com resistência a insetos, combinando cinco proteínas inseticidas com resistência a lepidópteros e cinco com resistência a coleópteros, especificamente para a larva-alfinete da espécie Diabrotica speciosa. Destas, apenas uma está em uso comercial atualmente.

Abaixo, você pode tirar suas principais dúvidas sobre Manejo Integrado de Pragas (MIP), Manejo de Resistência de Insetos (MRI) e adoção de áreas de refúgio em lavouras de milho Bt. O conteúdo faz parte de um folder elaborado pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) – que promove o programa Boas Práticas Agronômicas (BOAS) desde 2015 –, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O que é Manejo Integrado de Pragas (MIP)?

O MIP é uma estratégia-chave para garantir a proteção da lavoura de maneira econômica e sustentável. O monitoramento da cultura é atividade fundamental que não deve ser negligenciada, tanto para as pragas-alvo do evento Bt quanto para as pragas secundárias. Isso porque cada evento Bt é eficiente no controle de alguns insetos, mas não de todos. As demais pragas que podem ocorrer de forma sazonal ou em menor intensidade podem não ser alvo da proteína Bt, razão pela qual também devem ser monitoradas e manejadas.

O que é Manejo de Resistência de Insetos (MRI)?

É um conjunto de medidas adotadas para retardar a evolução da resistência de insetos às proteínas Bt. A resistência existe porque, na natureza, há alguns indivíduos raros que sobrevivem à exposição de agentes de controle, como o Bt ou inseticidas. Dentre as estratégias de MRI, destaca-se o plantio das áreas de refúgio e o uso de eventos piramidados, ou seja, que expressam mais de uma proteína efetiva para o grupo-alvo. Além disso, é importante o uso de alternativas de controle (como inseticidas químicos e controle biológico) quando a infestação das pragas atingir nível de dano.

O que é área de refúgio nas lavouras de milho Bt?

O refúgio é uma área de milho plantada com híbridos não Bt (convencional ou somente com tolerância a herbicida) em lavouras de milho resistentes a insetos (Bt). Essa área permite a sobrevivência de insetos – suscetíveis às proteínas inseticidas – que irão acasalar com as possíveis pragas resistentes vindas da cultura Bt. Esse cruzamento vai gerar novos indivíduos suscetíveis à tecnologia. O objetivo de manter uma população de pragas vulneráveis ao efeito inseticida da variedade transgênica é preservar os benefícios dessa tecnologia.

Por que plantar uma área de refúgio?

O objetivo de fazer refúgio é retardar a evolução da resistência nos insetos. Se apenas sementes híbridas Bt forem plantadas na lavoura, haverá uma grande pressão de seleção, permitindo a sobrevivência apenas dos insetos resistentes. Nas gerações seguintes, esses insetos resistentes vão cruzar entre si e haverá um aumento na população de pragas que não são controladas por meio da tecnologia Bt. Já quando há o refúgio e permite-se a sobrevivência de insetos suscetíveis, a prole desses suscetíveis com os resistentes será suscetível à tecnologia Bt.

Qual deve ser o tamanho da área de refúgio?

Existe uma recomendação do Grupo Técnico-Científico sobre Manejo de Resistência de Insetos-Praga a Proteínas Bt (GTMR), ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que trata das questões de resistência de insetos em lavouras Bt. A recomendação do grupo é que pelo menos 10% do total da área seja plantado com milho não Bt.

Como deve ser o plantio da área de refúgio?

Preferencialmente na mesma época, com híbridos de ciclos semelhantes e utilizando o mesmo sistema de produção. Todos os agricultores que utilizam tecnologia Bt precisam adotar o refúgio.

Como fazer o plantio do refúgio?

É fundamental que o milho não Bt seja plantado, no máximo, a 800 metros de distância do milho Bt. Essa distância foi baseada na dispersão das espécies adultas da lagarta-do-cartucho no campo. Portanto, as recomendações pretendem maximizar a possibilidade de encontro – e acasalamento – dos possíveis adultos sobreviventes na área de milho Bt com os insetos suscetíveis emergidos da área de refúgio. O refúgio estruturado deve ser desenhado de acordo com a área cultivada com o milho Bt e com a logística e topografia de cada propriedade. Para talhões (terrenos plantados) com dimensões acima de 800 m cultivadas com milho Bt, serão necessárias faixas de refúgio internas nos respectivos talhões.

O que pode acontecer se a área de refúgio estiver a mais de 800 m de distância do milho não Bt?

Nesse caso, há uma grande probabilidade de os insetos resistentes das lavouras Bt não encontrarem os suscetíveis para acasalamento. Consequentemente, a área de refúgio não será efetiva, comprometendo os benefícios da tecnologia.

É permitido controlar pragas na área de refúgio?

Sim. Porém, é importante lembrar que o objetivo do refúgio é gerar insetos suscetíveis. Portanto, deve-se fazer um uso racional de inseticidas (ou outras alternativas de controle) nessas áreas. Assim, toda vez que o monitoramento indicar 20% de plantas atacadas com folhas raspadas ou pequenas lesões circulares nas folhas, é o momento de usar outra estratégia, que pode ser a aplicação de bioinseticidas à base de baculovírus, ou inseticidas químicos, de acordo com a recomendação para a cultura. Desse modo, é recomendado o uso do MIP, que envolve monitoramento para tomada de decisão também na área de refúgio.

Pode-se plantar na área de refúgio outro milho Bt que já apresente baixa eficiência?

Não. O refúgio deve ser plantado com milho não Bt (convencional ou somente com tolerância a herbicida).

Qual o risco para o produtor que não adotar a estratégia do refúgio?

O produtor que não utilizar a prática do manejo da resistência pode ser a primeira vítima da quebra dessa resistência, ao não obter controle das pragas-alvo com os híbridos de milho Bt. É importante lembrar que os impactos da resistência de insetos às tecnologias Bt podem ser regionais, afetando diversas propriedades, por isso é fundamental que todos os agricultores plantem refúgio. A seleção de insetos resistentes às toxinas do Bt pode ser rápida em alguns casos. Portanto, a utilização da área de refúgio é essencial para garantir a manutenção da funcionalidade e da durabilidade das diversas tecnologias Bt.

Estruturas da área de refúgio em lavouras de milho Bt

As plantas de milho não Bt da área de refúgio devem estar no máximo a 800 m de distância das plantas de milho Bt, conforme a figura abaixo:

Para obedecer a essa regra, o plantio pode ser feito no perímetro da lavoura ou em faixas, dentro da área de cultivo, como mostra a figura abaixo:

Em área de pivô central, o refúgio pode ser feito em faixas ou em parte da área, conforme é apresentado a seguir:

Abaixo, você vê imagens de folhas raspadas ou com lesões circulares após ataque da lagarta-do-cartucho no milho:


27 dez 2016

SENAR E CIB firmam parceria

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O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) firmaram parceria para Difundir as BOAS PRÁTICAS AGRONÔMICAS relacionadas à preservação da biotecnologia das sementes com resistência a insetos, visando o aprimoramento da produção agrícola no Brasil.

Seja bem-vindo(a) ao nosso novo ambiente!