22 set 2017

Certificação de cadeias produtivas deve ser um processo voluntário

Nelson Ananias foi um dos palestrantes do 11º Congresso Brasileiro do Algodão. (Crédito: Boas Práticas Agronômicas)

A certificação de cadeias produtivas do agronegócio pode ser uma opção interessante para o reconhecimento de uma gestão sustentável e respectivo retorno econômico, mas deve ser decisão voluntária. A posição é defendida pelo coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias Filho.

Segundo ele, certificação é o processo pelo qual é monitorada a aplicação de um conjunto de critérios previamente estabelecidos e validados, com, necessariamente, emissão um selo que assegure o cumprimento desses princípios e a boa qualidade socioambiental do produto consumido.

“É um processo voluntário, no qual uma organização busca o reconhecimento, através da garantia dada aos seus clientes e à sociedade de que seu produto tem origem em propriedades adequadamente manejadas quanto aos aspectos ambiental, social e econômico”, explica.

Em relação aos critérios de verificação regulamentar, o coordenador de Sustentabilidade da CNA esclarece que devem ser atendidas as normas ambientais da legislação brasileira, assim como regras trabalhistas nacionais e internacionais. Casos de certificação na fruticultura (Produção Integrada no Brasil), na soja (Programa Soja Plus) e na cafeicultura (Currículo de Sustentabilidade do Café) ajudam a compreender melhor as etapas e os desafios do processo.

“As leis restritivas ambientais e trabalhistas do Brasil já são um diferencial competitivo importante. Somos cautelosos quanto a exigência de certificação, pois isso poderia segregar o mercado e prejudicar aqueles produtores que estão cumprindo a legislação. A decisão de certificar deve ser opcional para aqueles que desejam comprovar a sua sustentabilidade, buscar novos mercados e maior rentabilidade”, avalia Ananias.

Outro exemplo interessante acontece na cadeia do algodão, onde a certificação é a própria produção da fibra sustentável, com licenciamento Better Cotton Initiative (BCI). Devido à biotecnologia existente nas variedades de algodão – que permite com que os produtores rurais realizem o manejo integrado de pragas de forma mais segura, utilizando produtos químicos e biológicos – a certificação é favorecida. Essa prática, além de reduzir custos, confere um ganho ambiental pela redução da necessidade de uso de defensivos agrícolas.