Resistência a Insetos

A evolução da resistência de insetos tem sido um dos maiores desafios da agricultura brasileira. Diante desse cenário, a utilização de sementes transgênicas resistentes a insetos (tecnologia Bt) aumentou de maneira significativa nos últimos anos, como reflexo da eficiência da biotecnologia no controle de pragas. Entretanto, a elevada adoção de sementes Bt exige estratégias para evitar que sua eficácia fique comprometida pela seleção de insetos resistentes ao Bt.

Tecnologia Bt no Brasil

Em meados dos anos 2000, o cultivo de grãos no País, especialmente de milho, enfrentava graves problemas decorrentes das infestações de insetos. O controle de pragas por meio de defensivos químicos não tinha a eficiência desejada, e o número de aplicações necessárias aumentava gradativamente. Esse cenário começa a mudar a partir de 2005, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança, que regulamentou o uso de organismos geneticamente modificados (OGM) no Brasil, abrindo caminho para a introdução de sementes transgênicas na agricultura.

Entre os produtos transgênicos que foram introduzidos no Brasil, a tecnologia Bt surgiu como uma nova opção para que os agricultores controlassem as pragas na lavoura. A característica de resistência a insetos presente nas sementes Bt foi obtida por meio da inserção de genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), os quais promovem a expressão de proteínas com ação inseticida. Quando ingeridas pelo inseto-alvo, essas proteínas se ligam à parede do intestino deles, causando danos ao sistema digestivo e levando os animais à morte. A introdução dessa tecnologia nas lavouras teve impacto extremamente positivo na agricultura brasileira.

Pressão de seleção

Apesar da tecnologia Bt ter se mostrado uma aliada dos agricultores no controle de pragas, sem estratégias para retardar a evolução da resistência sua eficácia tende a ficar comprometida pela seleção de insetos resistentes ao Bt. A resistência é uma característica natural segundo a qual alguns indivíduos raros sobrevivem à exposição de agentes de controle (que pode ser a tecnologia Bt ou inseticidas químicos). Essa variabilidade genética existente em todas as espécies possibilita que populações de insetos que estejam sob pressão respondam a um determinado fator de seleção, independentemente de esse fator ser uma cultura Bt. A pressão de seleção exercida pela tecnologia em grandes áreas, safra após safra, faz com que os indivíduos que são naturalmente resistentes sobrevivam e se tornem maioria na população após algumas gerações, ocasionando a perda da eficácia da tecnologia.

Manejo da Resistência de Insetos (MRI)

Para evitar que a tecnologia Bt seja perdida em poucas safras é necessária a implementação de um programa efetivo de MRI, sendo a adoção de áreas de refúgio a principal ferramenta para retardar a resistência em populações de insetos. Além do uso de áreas de refúgio, o produtor também pode fazer uso de eventos piramidados, ou seja, que expressem mais de uma proteína efetiva para o grupo-alvo. Também é importante a utilização de alternativas de controle (como inseticidas químicos e controle biológico) quando a infestação da praga atingir nível de dano.

O risco de aumento da resistência pode ser minimizado com a adoção de medidas apropriadas de MRI. Além do refúgio, existe um conjunto de Boas Práticas Agronômicas, sobre o qual você poderá ter mais informações aqui.