11 out 2017

Embrapa promove curso sobre Produção de Bacillus thuringiensis: da bactéria ao produto

Placas de Petri com Bacillus thuringiensis. Foto: Claudio Bezerra

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, localizada em Brasília, DF, promove no período de 23 a 27 de outubro de 2017 curso sobre Produção de Bacillus thuringiensis: da bactéria ao produto. O objetivo principal é capacitar pesquisadores, estudantes e profissionais do agronegócio na produção do microrganismo Bacillus thuringiensis, também conhecido como Bt. Trata-se de uma bactéria utilizada em pesquisas de controle biológico em todo o mundo há mais de 40 anos. A grande vantagem é que ela é entomopatogênica, o que significa que é específica para controlar o inseto-alvo e, portanto, completamente inofensiva a qualquer ser vivo. Prova disso é que conta com aval da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda o seu uso até mesmo na água para consumo humano.

A Embrapa trabalha com Bacillus thuringienses desde a década de 90, quando iniciou as pesquisas para a produção de inseticidas biológicos. A equipe da pesquisadora Rose Monnerat, coordenadora do curso, já desenvolveu cinco bioinseticidas à base da bactéria: o Bt-horus, para o mosquito da dengue Aedes aegypti (2005); o Ponto.Final, para as lagartas que atacam culturas agrícolas (2009); o Fim da Picada, para borrachudos (2010); o Inova-Bti (2016) e o Strike Bio-Bti (2017), estes últimos também para o controle do mosquito Aedes aegypti.

Estão sendo oferecidas neste curso 20 vagas. Será cobrada taxa de inscrição no valor de R$ 500, a ser paga por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU). A inscrição pode ser feita na página da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia pelo endereço https://www.embrapa.br/recursos-geneticos-e-biotecnologia/curso-bacillus até o dia 19 de outubro próximo.

Aulas serão ministradas por equipe de laboratório acreditado pelo INMETRO

A coordenação técnica do curso é da pesquisadora Rose Monnerat, responsável pelo Laboratório de Bactérias Entomopatogênicas (LBE) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizado em Brasília – DF. O laboratório é acreditado desde 2014 pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO – na norma de qualidade ABNT NBR ISO/IEC 17.025, o que o torna apto a prestar serviços a instituições públicas e privadas do Brasil e do exterior. Também participam como instrutores os pesquisadores e técnicos Carlos Marcelo Soares, Lilian Botelho, Érica Soares Martins Queiroz e Paulo Martins Queiroz.

No conteúdo programático do curso, que tem um total de 32 h/aula, há aulas teóricas abrangendo diversos conceitos relacionados ao tema Bacillus thuringiensis, tais como Histórico, Aspectos gerais, Caracterização e Armazenamento; Produção (estrutura, meios de cultura, processos fermentativos); Formulação e Controle de qualidade. Já a parte prática inclui aulas de Produção em reator; Produção em baldes; Controle de qualidade e Testes de eficácia.

Inscrições até o dia 19 de outubro de 2017 no site: https://www.embrapa.br/recursos-geneticos-e-biotecnologia/curso-bacillus

Mais informações pelo e-mail: cenargen.cursos@embrapa.br

Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia


06 out 2017

Conheça as principais pragas controladas pela tecnologia Bt em soja, milho e algodão

A adoção das boas práticas agronômicas, como o refúgio, o monitoramento de pragas e a aplicação de inseticidas quando necessário, ajuda a evitar ou retardar a “quebra da resistência” em insetos das ordens Lepidóptera e Coleóptera em plantações de milho, soja e algodão Bt. Algumas espécies são capazes de causar danos às três culturas, como é o caso da lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) e de integrantes dos gêneros Helicoverpa e Spodoptera. Confira, abaixo, um raio-X das três principais pragas-alvo da biotecnologia no milho, soja e algodão Bt.

Milho

Larva e besouro de D. speciosa, conhecido como “vaquinha”. Foto: Paulo Lanzetta e Jovenil da Silva/Embrapa

1. Larva-alfinete (Diabrotica speciosa) – É a larva de um pequeno besouro conhecido popularmente como “vaquinha”, “patriota” ou “brasileirinho”, por conta de sua coloração verde-amarela. Os animais adultos se alimentam dos cabelos e das folhas do milho, enquanto as larvas comem as raízes. As plantas Bt expressam uma proteína tóxica às larvas do inseto e protegem a planta durante todo o seu desenvolvimento, desde a fase vegetativa até a maturação fisiológica dos grãos. O controle dessa praga no milho convencional (não Bt) é feito com o tratamento de sementes, mas tem eficácia limitada. Segundo o engenheiro agrônomo e consultor do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) José Magid Waquil, os métodos complementares de controle são difíceis de adotar, em decorrência da complexidade de aplicação de produtos no solo depois que a planta já está desenvolvida.

2. Lagarta-do-cartucho ou militar (Spodoptera frugiperda) – A espécie sofreu uma rápida evolução de resistência à proteína Cry1F, o que tem exigido um maior esforço dos produtores e da indústria, com um intenso monitoramento das lavouras e uso de estratégias de Manejo de Resistência de Insetos (MRI). Essas mariposas põem seus ovos nas folhas, e as lagartas recém-nascidas raspam as folhas e se dispersam para as plantas vizinhas. À medida que as pragas vão crescendo, deslocam-se para a região do cartucho do milho (base da folha antes da abertura), onde provocam os maiores danos. Também atacam as plantas nos estágios iniciais de desenvolvimento, causando um sintoma conhecido como “coração morto”, que deixa as folhas mais novas murchas ou secas, terminando por causar a morte da planta por inteiro. Podem atingir, ainda, as espigas na fase reprodutiva, ocasionando perdas diretas na produção e indiretas na qualidade dos grãos, por funcionar como uma porta de entrada para fungos produtores de toxinas.

3. Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) – Afeta as espigas do milho, o que torna a tecnologia Bt de extrema importância, pois no cultivo convencional não há um método eficiente de controle das lagartas que têm preferência por essa parte da planta. Uma alternativa de controle biológico é utilizar uma vespa do gênero Trichogramma, mas atualmente não há disponibilidade para tratar toda a área cultivada no País, aponta Waquil. Essas lagartas põem seus ovos no “cabelo” do milho e, logo após a eclosão, os filhotes penetram na espiga e ficam protegidos de agentes externos até completar a fase de larva, quando então caem no solo e passa pelo estágio de pupa. A tecnologia Bt é eficaz contra outra lagarta do gênero Helicoverpa, a armigera, que virou um grave problema há três anos no Brasil e danifica as flores e os frutos das culturas convencionais de soja, milho e algodão.

Soja

Nessa cultura, as variedades Bt são altamente eficazes contra os insetos-alvo da tecnologia. Assim, as plantas ficam protegidas contra as principais espécies de pragas, com exceção de insetos sugadores (como percevejos e a mosca-branca) e outras espécies de menor importância que podem ocorrer ocasionalmente. As três principais pragas contra as quais as cultivares Bt agem na soja são:

Lagarta-falsa-medideira atinge várias culturas do País, como soja, algodão, feijão e tomate

1. Lagartas desfolhadoras – Consomem o limbo ou lâmina foliar (parte principal da folha), reduzindo a produção da planta. Esse grupo inclui a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodexis includens), cuja incidência nas variedades geneticamente modificadas resistentes a insetos (Bt) é praticamente nula. A preocupação de agricultores e empresas com essas espécies, porém, está na evolução de linhagens resistentes às proteínas Bt. Portanto, o uso de estratégias de MRI é um fator decisivo para a manutenção da biotecnologia no campo.

2. Lagartas das vagens – Atacam as folhas novas, no início do desenvolvimento, e preferem se alimentar de botões florais, flores e vagens da soja, prejudicando diretamente a produtividade das plantas. Nesse grupo, estão espécies dos gêneros Helicoverpa e Heliothis. São insetos cujo controle é bem mais complexo que o das lagartas-desfolhadoras, por exemplo, já que, ao penetrar nas vagens, esses animais ficam protegidos e escondidos. Nesse caso, a tecnologia Bt torna-se ainda mais importante, pela dificuldade de controle dos métodos convencionais.

3. Broca-dos-ponteiros ou das-axilas (Epinotia aporema) – Entra na haste da planta, cavando túneis principalmente nos brotos e ramos novos. O principal sintoma de danos é a presença dos três novos folíolos (divisões das folhas) grudados por teias. Essa praga é mais importante em regiões com temperaturas amenas no inverno, como o Sul do Brasil. Segundo conselheiro do CIB, assim como no caso das lagartas das vagens e desfolhadoras, a soja Bt apresenta um alto grau de eficiência contra a broca-dos-ponteiros e a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), que causa danos às plântulas (embriões vegetais) recém-brotadas.

Algodão

Essa cultura é infestada por um complexo de pragas bastante diversificado, o que demanda muito conhecimento, monitoramento e estratégias para mantê-la livre de perdas econômicas. As principais espécies-alvo da tecnologia Bt no algodão são:

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) no algodão. Foto: Paulo Saran
Spodoptera frugiperda danifica tanto plantas jovens quanto folhas ou maçãs do algodoeiro

1. Lagarta-do-cartucho ou militar (Spodoptera frugiperda) – Ataca o algodoeiro desde sua emergência até a maturação, acometendo tanto plantas jovens (que podem acabar morrendo) quanto as folhas ou maçãs. No caso da cultura Bt, o MRI é prioritário porque essa espécie já evoluiu para resistência à proteína Cry1F. Portanto, as boas práticas agronômicas visando ao manejo de resistência devem ser prioritárias para a sustentabilidade dessa tecnologia no campo.

2. Lagartas desfolhadoras – Nesse grupo, estão incluídos o curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argilacea) e a falsa-medideira (Chrysodexis includens). Aquele predomina no terço superior das plantas e esta, no terço inferior. O algodão Bt apresenta alto nível de resistência contra essas duas espécies, reduzindo seus danos a patamares muito baixos. O desafio do produtor, nesse caso, está em adotar as práticas de MRI recomendadas às culturas Bt.

3. Lagartas das maçãs – Fazem parte dessa categoria a lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) e integrantes dos gêneros Helicoverpa e Heliothis. Esses insetos se alimentam tanto dos botões florais quanto das maçãs do algodão em desenvolvimento. Quando os danos ocorrem diretamente nas maçãs, reduzem não só a produtividade, mas também a qualidade das fibras obtidas.

Fonte: Luna D’Alama/ Boas Práticas Agronômicas


12 set 2017

Rotação de culturas: saiba por que esta é uma ótima opção para o produtor

Grande aliada do Sistema de Plantio Direto (SPD), a rotação de culturas é uma boa prática agronômica que consiste na alternância planejada de espécies em determinada área. Especialistas a consideram uma forma eficiente de reduzir os impactos ambientais provocados pela monocultura, melhorando as condições físico-químicas e biológicas do solo no longo prazo. Além disso, ela reduz a incidência – e confere um manejo mais eficiente – de doenças, plantas daninhas e pragas (favorecendo a quebra do ciclo de vida delas).

Segundo o especialista em Fitopatologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Luiz Gonzaga Chitarra, intercalar o plantio de soja-algodão-soja ou soja-milho-soja não é fazer rotação, mas, sim, uma sucessão de culturas, favorável ao desenvolvimento de insetos-praga, patógenos e plantas daninhas. “Não precisa rotacionar a área toda, dá para começar aos poucos. Quando o produtor não faz rotação, prejudica o sistema produtivo e seu próprio negócio”, destaca.

Os benefícios dessa prática na agricultura crescem ao longo do tempo e são sentidos em um melhor aproveitamento das plantas no solo, acrescenta o engenheiro agrônomo e consultor do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) José Magid Waquil. “A rotação aumenta a disposição de matéria orgânica, o que favorece a capacidade de retenção de umidade no solo e um maior aprofundamento das raízes”, explica.

Com o passar dos anos, o produtor ainda obtém um melhor desempenho das cultivares utilizadas, pela maior eficiência na absorção de nutrientes e menor sensibilidade dessas plantas a estresses de umidade, por exemplo. “Além disso, há uma queda nos custos de produção, pela redução de infestações e infecções e, consequentemente, do uso de defensivos agrícolas”, afirma Waquil.

Rotação de culturas com trigo sobre aveia. Foto: Dirceu Gassen

Ação preventiva

Na visão do engenheiro agrônomo José Laércio Favarin, professor e pesquisador do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP), a rotação de culturas deve ser uma prática preventiva, e não adotada apenas quando já existe um problema instalado. “Essa não é uma decisão imediatista. E todo novo comportamento exige uma mudança cultural”, avalia.

No Brasil, a rotação é mais empregada na Região Sul, em parte do Mato Grosso do Sul e no oeste de Goiás, de acordo com Favarin. “A princípio, é possível rotacionar qualquer cultura, mas quem define essa diversidade e o limite é o produtor, tendo em vista sua capacidade de gerenciamento e o interesse comercial das variedades”, diz o professor da ESALQ-USP.

Waquil recomenda a rotação de plantas de diferentes grupos, como leguminosas (soja, feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha, amendoim) e gramíneas (milho, trigo, arroz, sorgo, pastagem). E Favarin complementa que, se o problema da lavoura forem doenças, como o mofo-branco no caso da soja, uma rotação “fantástica” é plantar milho e braquiária (capim).

Para o pesquisador e assistente técnico para boas práticas agrícolas e altos rendimentos Dirceu Gassen, a rotação de culturas é um dos pilares mais importantes que mantêm a diversidade vegetal, animal e de microrganismos, além do controle biológico natural. “É uma prática essencial em um sistema sustentável de produção de alimentos”, ressalta.

Fonte: Luna D’Alama/ Boas Práticas Agronômicas


22 ago 2017

MIP x MRI: entenda o significado dessas siglas

Você já deve ter deparado com as siglas MIP e MRI, certo? Mas será que sabe mesmo o que elas significam? E por que são tão importantes para a manutenção da biotecnologia e da produtividade no campo?

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é um conceito instituído pela comunidade científica na década de 1960, para otimização do controle de pragas agrícolas (como insetos), doenças e plantas daninhas. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse conjunto de medidas surgiu na Califórnia, Estados Unidos, e foi empregado inicialmente em culturas como soja, algodão e citros. Na década de 1980, começou a ganhar destaque no Brasil.

O MIP é uma estratégia-chave para garantir a proteção da lavoura de maneira econômica e sustentável. Envolve diferentes ferramentas de controle, como produtos químicos, agentes biológicos (predadores, parasitoides, bactérias, fungos e vírus), extratos de plantas, feromônios, variedades Bt (resistentes a insetos), manejo cultural, plantas-iscas e liberação de machos estéreis. O emprego dessas técnicas, de forma planejada e harmônica, é a base para a solidez de um programa de MIP, considerado fundamental para a sustentabilidade das tecnologias de resistência a insetos.

Nesse sistema, que associa o ambiente da lavoura à dinâmica populacional de pragas, o produtor deve lançar mão das boas práticas agronômicas para manter a quantidade de lagartas em níveis abaixo daqueles capazes de causar danos econômicos. O MIP também busca manter o equilíbrio do ecossistema e minimizar os riscos ambientais.

Uma de suas principais recomendações é o monitoramento das áreas para verificar a presença de insetos, o tamanho deles e o nível de danos já provocados nas plantas. Com uma amostragem dessa população, é possível decidir sobre as melhores estratégias de controle a serem adotadas. O monitoramento da plantação é atividade fundamental que não deve ser negligenciada, tanto para pragas-alvo do evento Bt quanto para as consideradas secundárias. O ideal é que essa inspeção seja feita, pelo menos, uma vez por semana, orienta a Embrapa Soja.

Essa avaliação in loco deve ser realizada durante todo o ciclo da cultura. Sua principal função é determinar o momento correto da aplicação de inseticidas e analisar se é necessário fazer mais de uma aplicação ou alternar inseticidas com diferentes mecanismos de ação.

A adoção do MIP ajuda a evitar a calendarização das aplicações, que pode gerar um desequilíbrio entre as pragas nocivas e os inimigos naturais, e representar custos desnecessários e excessivos ao produtor. Também é crucial para evitar ou retardar o desenvolvimento de pragas resistentes. Atualmente, várias medidas de manejo são indicadas para evitar ou retardar a evolução da resistência dos insetos-praga. Dentre as principais, destacam-se as seis boas práticas que o BOAS preconiza: dessecação antecipada, uso de sementes certificadas, tratamento de sementes, adoção de áreas de refúgio, controle de plantas daninhas e monitoramento de pragas.

Um manejo inadequado pode ter como consequência a perda de eficácia da tecnologia no campo. Como resultado desse manejo incorreto e da ameaça de novas pragas, muitos agricultores aumentam o número de aplicações de inseticidas nas lavouras Bt. Na maioria das vezes, a aplicação é feita sem que haja real necessidade, o que resulta na elevação dos custos de produção e em maiores impactos ambientais.

E o que é MRI?

O Manejo de Resistência de Insetos (MRI), por sua vez, é um conjunto de medidas que estão dentro do MIP e são adotadas para retardar a evolução da resistência de insetos às proteínas Bt. A resistência existe porque, na natureza, há alguns indivíduos raros que sobrevivem à exposição de agentes de controle (como o Bt e inseticidas).

Dentre as estratégias de MRI, destacam-se o plantio de áreas de refúgio (com plantas não Bt) e o uso de eventos piramidados, ou seja, que expressam mais de uma proteína efetiva para o grupo-alvo. Além disso, é importante o uso de alternativas de controle (como inseticidas químicos e controle biológico) quando a infestação de pragas atingir nível de dano econômico.

O refúgio tem como função produzir insetos suscetíveis às proteínas inseticidas que irão se acasalar com os insetos resistentes provenientes das áreas Bt, gerando novos indivíduos suscetíveis e preservando, assim, os benefícios dessa tecnologia.


07 ago 2017

Reportagem nacional aborda blog Biotecnologia no SENAR

Lançado há menos de um mês, o blog Biotecnologia no SENAR – uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) – já foi destaque na reportagem de capa de uma das revistas mais tradicionais do setor. Com o título “Tecnologia preservada”, a matéria da edição de agosto da Revista A Granja ressalta a importância de ferramentas como essa para o uso correto da biotecnologia no cultivo e manejo das áreas, já que o conhecimento é um “insumo vital” no campo.

O texto explica como foi criado e quais os principais objetivos do blog. No novo espaço digital, o produtor encontra o passo a passo das boas práticas que prolongam a vida útil das tecnologias, além de notícias relevantes sobre o setor. Na reportagem, o assessor técnico do SENAR Rafael Diego Nascimento da Costa também alerta que uma das maiores dificuldades identificadas entre os produtores diz respeito à adoção das áreas de refúgio.

Leia a matéria na íntegra aqui.

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07 ago 2017

Pesquisa avalia uso de feijão-caupi como forrageira no Nordeste

Linha de pesquisa de Antônio Neto é genética e melhoramento vegetal

Participante da primeira edição do CNA Jovem – programa de desenvolvimento de lideranças do Sistema CNA/SENAR -, Antônio Moreira Barroso Neto escolheu um tema relevante para a região Nordeste no seu projeto de doutorado, realizado na Universidade Federal do Ceará (UFC). O trabalho tem como foco o melhoramento clássico na cultura do feijão-caupi (popularmente conhecido como feijão-de-corda). Neto pretende identificar variedades da leguminosa que tenham potencial forrageiro, tendo em vista as qualidades nutricionais da cultura e a sua rusticidade para as condições adversas do semiárido.

Segundo ele, a espécie é muito cultivada no nordeste brasileiro como base da alimentação protéica de origem vegetal para população. Atualmente a cultura também tem se expandido para regiões como Centro-Oeste, sendo muito usada em grandes cultivos de entressafra. A pesquisa, que segue em fase inicial, busca selecionar genótipos do Banco Ativo de Germoplasma da UFC (BAG/UFC) que apresentem boas características para uma espécie de potencial forrageiro. Serão avaliadas 64 variedades do feijão. “O que nos falta é olhar o feijão-caupi com um outro olhar e ver o seu potencial para auxiliar na alimentação da pecuária da região”.

Neto explica que em países como os Estados Unidos, o feijão-caupi é basicamente usado como espécie forrageira. No Brasil, aponta ele, existem alguns casos no Rio Grande do Sul, onde os agricultores usam a cultura para melhoria de solo e para forragem. “O que se observa são poucos estudos no âmbito do melhoramento da espécie para finalidade forrageira. Neste sentido, tendo em vista este vasto potencial que a espécie tem, como teores de proteína que podem beirar os 26% e a baixa quantidade de lignina (fibra rígida de difícil absorção), resolvemos avaliar esta cultura e buscar estratégias de melhoramento que nos possibilite selecionar e, futuramente, lançar uma cultivar com esta finalidade”, destaca.

Influência do CNA Jovem

Antônio Neto (à esquerda) com os outros representantes do Ceará na primeira edição do CNA Jovem

O jovem acredita que a sua pesquisa poderá contribuir não só no aspecto acadêmico, mas também promover mudanças e melhorias para o Agro. “São os questionamentos, as inquietudes, desejo de mudança e visão que podem lhe colocar como uma jovem liderança do setor. Um líder deve pensar além, fora da “caixa”, enxergar novas possibilidades, e tudo isso está ligado com a proposta do CNA Jovem e com o que aprendi quando participei do programa”.

Na opinião de Neto, o CNA Jovem trouxe experiência fundamental para desenvolver o seu perfil de liderança. Mesmo sendo filho de produtor rural e com formação em Agronomia, ele percebia que faltava algo a mais, como entender e enxergar o setor agropecuário com uma visão “holística”. “No CNA Jovem tive a oportunidade de despertar meu potencial de liderança através de capacitações e do networking que fiz nestes espaços. Isso me deu uma visão das particularidades do setor nas diferentes regiões do Brasil, e os desafios inerentes a cada estado”.

A oportunidade de participar do Programa de Mentoria do Pós-CNA Jovem também despertou no jovem o perfil de líder e mostrou como desenvolver mais ainda essa qualidade para alcançar seus objetivos. “Sei que ainda estou em um processo de melhoria como líder e busco, a cada dia, desenvolver isso, estando sempre aberto a novos conhecimentos e buscando de alguma forma me inserir no setor de uma forma positiva, como um agente de mudança”.

Feijão transgênico

Pesquisa vai analisar características de 64 variedades da leguminosa

Além dessa iniciativa de melhoramento clássico, pesquisadores da Embrapa também recorrem à biotecnologia para ajudar os agricultores a enfrentar os desafios do campo. Assim, em 2011, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o primeiro feijão transgênico do mundo. A variedade é resistente ao vírus-do-mosaico- dourado, doença que ataca as plantações da cultura e causa grandes prejuízos ao agricultor.

Fonte: SENAR Brasil e CTNBio