Agricultura de precisão

SENAR

O SENAR levou esta semana 41 instrutores do Programa de Agricultura de Precisão para uma capacitação sobre os fundamentos e conceitos de AP na Embrapa Instrumentação, em São Carlos. Os profissionais foram divididos em duas turmas com carga horária de 20h cada. A meta da entidade é preparar os instrutores para atuarem como agentes multiplicadores das técnicas de agricultura de precisão nos seus respectivos estados. Participam instrutores do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Goiás, Tocantins e Pará. Dos 41 profissionais, 23 já são instrutores na área.

“Estamos aprendendo todas as ferramentas para entrar no sistema de AP e desmistificar aquele conceito que agricultura de precisão é feita apenas com máquinas”, comenta Adriano Queiroz Ferreira, de São Paulo, que atua há 12 anos com agricultura de precisão e máquinas agrícolas. “A capacitação é de alta qualidade, com especialistas preparados. Está sendo um treinamento de grande importância, porque mesmo estando na área, há muitas coisas que a gente não tem conhecimento, principalmente dos alicerces de AP. Esse conteúdo vai ser muito útil para os treinamentos que ministro, mesmo porque, com o passar do tempo, as ferramentas de AP estão mais tecnificadas e mais precisas e por isso precisamos de todo o conhecimento possível.”

O instrutor de máquinas agrícolas em Alagoas, Mirabel Omena Ferro, afirma que ainda não trabalha com AP, mas garante que o curso vai proporcionar bagagem para expandir sua atuação no estado. “Fiz uma primeira capacitação do programa de AP que abordou máquinas e essa está tratando dos conceitos, ou seja, estamos tendo uma base completa do que é necessário para se fazer agricultura de precisão. Em Alagoas, por exemplo, o principal cliente do SENAR no setor de máquinas são as usinas que estão investindo cada vez mais em tecnologia. Com essa capacitação de AP vamos conseguir ter mais bagagem para expandir a atuação do SENAR e atender melhor nossos clientes”, acredita. Segundo Ferro, é importante, acima de tudo, dar continuidade às capacitações. “Precisamos nos aprofundar, para termos uma visão melhor do setor e permanecermos atuando com qualidade.”

Onze pesquisadores da Embrapa capacitam os instrutores do SENAR, abordando, entre outros temas, a agricultura de precisão em áreas como a fruticultura, irrigação e pastagens, além do conceito de ferramentas como geoestatística e sistema de informação geográfico. “Estamos passando para eles a maturidade que alcançamos em mais de 10 anos de pesquisa em agricultura de precisão, com foco principalmente nos alicerces para construir a AP com conhecimentos básicos e bem fundamentados” diz o pesquisador e coordenador da Rede de AP na Embrapa, Ricardo Inamasu. “A ideia é que os instrutores possam utilizar as ferramentas de AP de uma forma muito mais potencializada”, conclui.

A capacitação dos instrutores vai até esta sexta-feira, dia 31.

Com a crescente demanda por agricultura de precisão nas áreas produtivas do País, surgiu a necessidade de se capacitar profissionais ligados ao campo. Pensando nisso, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) propôs duas linhas de ação para auxiliar na capacitação de técnicos, produtores e trabalhadores rurais: a realização de seminários de AP e a criação de um programa de treinamento para operadores de máquinas agrícolas. O assunto foi tema da palestraTransferência de Tecnologia em Agricultura de Precisão do técnico do SENAR, Mateus Tavares, nesta quarta-feira (14) durante a III Convenção de AP da Embrapa.

As ações do SENAR voltadas para a agricultura de precisão também são tema do artigo Transferência de Tecnologia em Agricultura de Precisão, publicado no novo livro da Embrapa - Agricultura de Precisão: resultados de um novo olhar - lançado durante a convenção. A publicação visa divulgar para técnicos e pesquisadores da área as ações e pesquisas em AP.

“A primeira ação do SENAR foi realizar seminários, em parceria com instituições de pesquisa, como a Embrapa, universidades e empresas do setor privado, para disseminar conceitos e desmistificar a ideia de que AP só se faz com máquinas.  A segunda proposta foi a elaboração do programa de capacitação continuada, buscando a formação de técnicos junto a órgãos de pesquisa e empresas privadas de forma a possibilitar o acesso dos produtores e trabalhadores rurais às novas tecnologias. O foco é a capacitação de multiplicadores das tecnologias de AP, e a ideia é manter esses profissionais sempre atualizados no desenvolvimento das tecnologias”, afirma Mateus Tavares.

Ele explica que o programa de agricultura de precisão da entidade está dividido em sete módulos, com conteúdos variados, e que os temas de cada um foram definidos a partir das demandas levantadas pelos produtores rurais. O programa conta ainda com um módulo em gestão para mostrar ao produtor que o uso das ferramentas de  agricultura de precisão também se faz com gestão, com monitoramento de custos e receitas da propriedade. “O SENAR recebe e atende a demanda do produtor, que é seu público-alvo. Ao perceber as dificuldades em lidar com tais tecnologias, o produtor procurou nossa entidade para capacitar os operadores de máquinas da sua propriedade e se capacitar também”, revela.

O programa de AP do SENAR inicia com a qualificação de instrutores da área e posteriormente com a capacitação do operador de máquinas e do produtor rural. “Essa necessidade por mão de obra qualificada na operação e assistência em maquinários agrícolas modernos é algo que há muito tempo vem sendo notada. Vem daí a grande demanda por capacitações em vários estados, como, por exemplo, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Bahia, onde a produção de grãos é mais intensa.”

Atualmente, o SENAR, em parceria com entidades de pesquisa e empresas do setor, já capacitou 80 instrutores de agricultura de precisão e está previsto para o segundo semestre deste ano, o treinamento de mais 60 profissionais. “A utilização de AP como ferramenta, que busca reduzir o custo e aumentar a produtividade, é o caminho que deverá ser percorrido pela agropecuária brasileira para modernizar o setor”, avalia Tavares.

Essas são as propostas da Comissão Especial de Agricultura de Precisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, segundo seu coordenador, o técnico Fabrício Juntolli. Ele afirmou nesta terça-feira (13), na III Convenção de AP realizada pela Embrapa, que essa agenda terá demandas de curto, médio e longo prazo e servirá para nortear a comissão sobre as demandas do setor.

“Estamos focando na criação de uma associação brasileira de agricultura de precisão, para que seja uma entidade representativa do setor e uma vitrine do Brasil lá fora. Essa associação deverá conter vários representantes da área, como prestadores de serviços e fabricantes de equipamentos. Assim que for criada, será um grande passo para o avanço do setor”, comemora Juntolli.

A agenda estratégica já iniciou suas ações, conta o coordenador. Além da criação da associação brasileira de AP, também será feito um levantamento estatístico do setor no País. “Hoje não temos dados do quantitativo de áreas que utilizam AP, quais são os produtores e qual o nível de tecnologia que eles estão utilizando. Esse levantamento vai facilitar ao Ministério a tomada de decisão e a criação de políticas públicas para o setor e o melhor direcionamento dessas políticas, para regiões com maior ou menor déficit de tecnologia, por exemplo.”

Para esse trabalho a comissão especial tem parceiros importantes, aponta Juntolli, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e a Embrapa. “O SENAR é fundamental na parte de capacitação, porque observamos que muitas vezes o produtor investe num equipamento de última geração, mas não tem operador que saiba usá-la 100 por cento. E a Rede de AP da Embrapa tem feito muitas pesquisas em várias culturas em todo o Brasil. Os resultados dessas pesquisas ao serem colocados em prática pela empresa em conjunto com os produtores vão colaborar muito para o avanço da agricultura de precisão no País.”

A elaboração de uma agenda estratégica para a Agricultura de Precisão (AP) é considerada um passo fundamental para que o setor possa crescer e continuar contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a competitividade do agronegócio brasileiro. Foi com essa intenção que os integrantes da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) – entre eles o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) – se reuniram nesta quinta-feira (13/2), em Brasília.

No encontro, representantes das instituições, indústrias de máquinas, universidades e produtores rurais que compõem a CBAP debateram as principais demandas da área para que, a partir delas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) possa definir políticas públicas específicas. O assessor técnico do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS), Igor Orígenes Moreira Borges, ressalta que, no caso do SENAR, esse planejamento vai ajudar a entidade a entender as necessidades de toda a cadeia e assim estruturar as capacitações oferecidas.

“Também propomos um relacionamento institucional mais próximo com as empresas para que possamos ter acesso às tecnologias e capacitar da melhor maneira possível os nossos instrutores. A agenda é um pontapé inicial para a Agricultura de Precisão ganhar força. Vai ajudar no fortalecimento e na difusão do tema perante a sociedade”, prevê.

De acordo com o presidente da CBAP e professor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), José Molin, entre os assuntos considerados prioritários está a realização de um diagnóstico do mercado, com a caracterização do nível de adoção de AP no País. Para ele, também é importante criar uma governança que possa integrar todos os envolvidos e dar visibilidade ao grupo, assim como incentivar a pesquisa para sensibilizar os gestores de recursos sobre a importância dessas tecnologias.

“A formação e a capacitação são igualmente essenciais nesse processo. O SENAR vem fazendo um trabalho forte de divulgação desde 2012 e chamou a atenção para a formação de pessoal de nível operacional”, salienta.

O secretário da CBAP e chefe da Divisão de Prospecção da Tecnologia Agropecuária do Mapa, Fabrício Juntolli, acredita que o setor precisa se organizar em torno de uma associação nacional e fazer um levantamento estatístico para saber quantos produtores utilizam AP no Brasil, onde estão e quais tecnologias usam, por exemplo. Outro ponto importante é a criação de linhas de crédito específicas para facilitar a adesão dos agricultores e a qualificação da mão-de-obra que atua na área.

“O SENAR é extremamente importante na parte de capacitação de técnicos. A demanda é muito grande e não existem operadores preparados para trabalhar com essas tecnologias”, conclui Juntolli.

A CBAP

Criada em setembro de 2012 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) tem como principal responsabilidade a difusão e fomento de conceitos e técnicas de Agricultura de Precisão. Dentre suas atribuições estão desenvolver programas de treinamento de mão de obra em AP, levantar demandas de pesquisa e encaminhá-las aos órgãos competentes, bem como gerar e adaptar conhecimentos e tecnologias com custo e benefícios equilibrados. A Comissão também busca mecanismos para incluir disciplinas na área de Agricultura de Precisão em cursos técnicos, de graduação e pós-graduação; elaborar material de divulgação da AP; buscar a inserção da técnica nas políticas brasileiras; e criar um banco de dados público das atividades relacionadas à prática.

Além do SENAR e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), outras 11 instituições compõem a CBAP: ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI); Associação Brasileira de Engenheiro Agrícola (Abeag); Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea); Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer); Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Fórum de Pró-Reitores de Pós Graduação (Foprop); Universidade de Santa Maria e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

 

03 ABR
2013

QUEM USA AP, APROVA

“Toda vez que planto, uso agricultura de precisão”. Quem afirma é o produtor rural Pedro Hersen, de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Ele trabalha atualmente com implementos agrícolas e pecuária de corte, mas também planta soja. Pedro Hersen diz que todos os produtores precisam usar agricultura de precisão e explica por que.

“O primeiro processo é fazer a análise de solo por meio da taxa variável. A partir daí você tem o mapa da sua área e com isso pode aplicar a quantidade certa de adubo com o teor correto de calcário, fósforo e enxofre, por exemplo. Na colheita a mesma coisa, você usa o GPS e consegue levantar o que de melhoria alcançou na produção. A agricultura de precisão é um processo sem volta, só precisa ser aprimorado”, revela.

Hersen acredita que os seminários de AP do SENAR são fundamentais nesse processo. “Eu fui ao seminário realizado em outubro do ano passado em Luís Eduardo Magalhães. Acho importante esse tipo de ação para esclarecer a formatação exata do processo e os seus benefícios para os produtores que ainda não utilizam”, destaca.

Quem também está satisfeito com os bons resultados que tem com a agricultura de precisão é o produtor mineiro José Ricardo Stabile, do município de Patos de Minas. Há quatro anos produzindo soja, milho e feijão com os recursos da agricultura de precisão, o produtor afirma que o negócio é tomar decisões.

“Você precisa definir onde vai jogar o adubo, porque a ideia da agricultura de precisão é você poder equilibrar o solo, ou seja, igualá-lo. Dessa forma, ele se torna uniforme e mais produtivo”, avalia. Stabile sustenta que a agricultura de precisão baixa os custos, principalmente com os insumos e isso é o que também melhora os rendimentos. “Eu faço AP num grid de 1 hectare, e tem dado bastante resultado. Aos poucos, estou conseguindo subir na escadinha da fertilidade do solo”, brinca o produtor.

Por Equipe de Comunicação Digital • Postado em Seminários de Agricultura de Precisão • Tagged , Seja o primeiro a comentar