Agricultura de precisão

SENAR

Por Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia*

Foto: Daniel Medeiros

Biossensor baseado em um peptídeo representa um avanço na detecção de íons de cobre presentes na planta do café. Recém-desenvolvida por cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), a tecnologia inédita poderá proporcionar o desenvolvimento de sistemas portáteis para detecção desse metal na planta, o que hoje só é possível por meio de análises laboratoriais.

Além das aplicações na detecção de contaminação ambiental e nos vegetais, o biossensor também poderá ser empregado na determinação de origem geográfica do café. Os íons metálicos já vêm sendo utilizados como marcadores para identificar a origem de produtos como vinho e café, segundo conta o pesquisador Marcelo Porto Bemquerer, um dos responsáveis pela tecnologia. “O Brasil é o maior produtor e o segundo maior consumidor de café, o que torna essencial a caracterização da qualidade e origem de produção desse grão”, avalia o cientista.

O cobre encontrado no café vem principalmente de fertilizantes cúpricos e alguns defensivos químicos utilizados na lavoura. Em determinadas concentrações, pode ser tóxico e provocar alterações fisiológicas na planta.

No Brasil a detecção de íons metálicos ocorre mais comumente na água e no solo. Os métodos para determinar o cobre no solo e sua consequente biodisponibilidade pela planta existem, têm baixo custo e são eficazes, no entanto não são aplicáveis facilmente no campo porque são registrados em equipamentos de grande porte. No caso do biossensor, contudo, é possível fazer a análise até mesmona plantação, caso seja utilizado um potenciostato portátil e eletrodos impressos. Esta fase da pesquisa ainda está em andamento.

Vários estudos apontam que nanopartículas do metal podem liberar íons metálicos que contribuem para a toxicidade em tecidos vegetais. “A aplicação do biossensor para cobre no âmbito da nanotoxicologia é importante. Essa moderna área da investigação tem contribuído fortemente para o meio ambiente e agricultura. Além disso, a toxicidade para o homem não deve ser negligenciada”, diz a pesquisadora da Embrapa Clarissa Pires de Castro, que também participou do desenvolvimento da tecnologia.

Como funciona

Para testar a aplicação do biossensor, a analista Gabriela Magarelli desenvolveu métodos seletivos de determinação de cobre para aplicação em sementes e frutos de plantas de café, que foram submetidos ao tratamento de fertilizantes cúpricos. As amostras serão comparadas com outras livres de fertilizante. Nessa fase da pesquisa, que encontra-se em andamento, é necessário determinar os parâmetros de validação do método, tais como o limite de detecção, a precisão e a seletividade do método.

Os cafeeiros são suscetíveis a doenças causadas por fungos, que reduzem de forma significativa o rendimento da planta. Os produtores normalmente pulverizam a lavoura com fungicidas à base de cobre para evitar o problema, o que permite uma solução paliativa, causando impactos negativos no meio ambiente, nos custos com a lavoura e com a saúde.

 Ambientalmente mais limpo

Do ponto de vista ambiental, o biossensor é uma das tecnologias que contribuem para a redução no uso de reagentes nas análises eletroquímicas, comparado aos métodos convencionais. Produtos selecionados a partir do dispositivo deverão ter maior valor agregado devido à comprovação e certificação de suas propriedades nutricionais e de ausência dos níveis de íon metálico tóxico acima do permitido.

Os resultados obtidos nos testes de validação demonstram que a tecnologia deverá influenciar e abranger todas as regiões produtoras de café do Brasil, podendo ser utilizado por produtores rurais, instituições de pesquisa, universidades, órgãos de defesa do consumidor e na produção de dados na caracterização química de diversas espécies de café.

A pesquisa liderada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia foi iniciada em 2015 e será concluída no segundo semestre deste ano, envolvendo cientistas de outras três Unidades da Empresa (Café, Cerrados e Instrumentação) e a Universidade de Brasília (UnB). O projeto está inserido no Arranjo Agronano, liderado pela Embrapa Instrumentação (SP).

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Por Ascom/Mapa*

Cerca de 67% das propriedades agrícolas do país usam algum tipo de tecnologia, seja na área de gestão dos negócios ou nas atividades de cultivo e colheita da produção. A estimativa é do coordenador da Secretaria Executiva da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), Fabrício Juntolli, reconduzido ao cargo por mais dois anos, nesta quinta-feira (13), por meio de portaria assinada pelo ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

“Nossa meta para os próximos dois anos é fazer um levantamento sobre o panorama de agricultura de precisão no Brasil”, diz Juntolli. A tecnologia, acrescenta, contribui para a melhoria da gestão da propriedade e para a tomada de decisão dos produtores. “Ela ajuda os agricultores a plantar na hora certa e com a utilização de insumos na quantidade exata.” Segundo ele, a agricultura de precisão está em crescimento no país, principalmente nos estados do Centro-Sul (RS, SC, PR, SP, MG, GO, MS, MT) e em Roraima e Tocantins, no Norte.

A portaria assinada por Blairo Maggi traz ainda os nomes dos demais membros da CBAP. Representantes da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário da Casa Civil e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação também fazem parte da comissão. Neste ano, destaca Juntolli, duas novas entidades passaram a fazer parte da CBAP: a Associação Brasileira dos Prestadores de Serviços em Agricultura de Precisão e a Associação Brasileira de Agricultura de Precisão.

Ainda integram a CBAP a Associação Brasileira de Engenheiros Agrícolas, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural,  Associação Brasileira de Engenharia Agrícola, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação, Organização das Cooperativas Brasileiras, Associação Brasileira de Sementes e Mudas, Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

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Por SENAR Brasil*

Instrutores no treinamento realizado em Brasília ano passado.

Aspersão convencional e pivô central serão os temas da próxima capacitação dos instrutores do Programa Nacional de Irrigação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que acontece entre os dias 24 e 28 de abril. Ano passado, os profissionais participaram em Brasília do treinamento em gestão de sistemas de irrigação localizada (gotejamento e microaspersão). Dessa vez, serão dois dias de curso em propriedades de Cristalina, Goiás, região que possui a maior área irrigada com pivô da América Latina, conta o coordenador do programa, Rafael Diego Nascimento da Costa.

“Faremos um alinhamento para que todos os instrutores tenham o mesmo nível de entendimento e o conhecimento técnico seja consolidado”, explica Costa. “A ideia é que eles façam a gestão dos sistemas de irrigação, ou seja, além de montar, possam auxiliar o produtor a definir qual o sistema mais adequado para sua realidade e fazer o manejo do solo e da água depois que o sistema estiver instalado.”

O treinamento vai ser ministrado novamente pelo Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (Inovagri), parceiro do SENAR no programa. O foco agora são os conceitos de sustentabilidade, gestão, fertirrigação e motobombas.

No dia 24, a Coordenação de Produção e Distribuição de Materiais Instrucionais do SENAR fará uma oficina para os especialistas que vão elaborar as cartilhas do programa. São os pesquisadores do Inovagri, consultores e instrutores do SENAR. Os temas abordados serão gestão no uso de sistemas de irrigação e capacitação de produtores em comitê de bacias hidrográficas, este último, será a segunda vertente do Programa de Irrigação.

Os 30 instrutores que participam desse treinamento são do Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Roraima, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

O SENAR lançará ainda esse ano a capacitação para os produtores rurais brasileiros. Para se matricularem em uma das turmas que estarão disponíveis, os interessados deverão procurar o sindicato rural do seu município ou o SENAR do seu estado. “Para manter a qualidade das capacitações, o SENAR formará parcerias com instituições de pesquisas e fabricantes de equipamentos de irrigação. A ideia é capacitar de forma continuada os instrutores nos avanços tecnológicos utilizados no campo”, finaliza Rafael Costa.

Por SENAR/MS*

Por anos a matriz econômica do Mato Grosso do Sul foi sustentada nos mercados de soja e de boi. No campo, estes dois segmentos se fortaleceram com métodos e tecnologias de precisão para impulsionar a produção de grãos e/ou de carne, e até mesmo de leite. A inovação tecnológica que impulsionou o setor agropecuário, deu força também à silvicultura em solos sul-mato-grossenses. Segundo os últimos dados do Siga/MS – Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de MS, Mato Grosso do Sul apresenta 950 mil hectares de plantio com eucalipto.

“As tecnologias do campo avançam a cada dia e, paralelamente a isso, há a necessidade de aprimoramento da mão de obra, por isso renovamos o catálogo de cursos voltados para o setor florestal para acompanhar as tendências de mercado, principalmente no que se refere à viabilidade dos custos de produção, com foco na mecanização e na operação preventiva”, afirma a diretora-secretária do Sistema Famasul e coordenadora educacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/MS), Terezinha Cândido.

De acordo com a IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores, o estado é o terceiro no ranking nacional em área plantada com eucalipto, perdendo apenas para Minas Gerais e São Paulo, e ainda apresenta a quarta maior produção de árvores plantadas por espécie, tais como pinus, mogno e seringueira. Essa produção destina-se basicamente à obtenção principal de papel e celulose, carvão vegetal e lenha.

Três Lagoas lidera o ranking nacional dos 20 principais municípios produtores de madeira em tora para papel e celulose. Conforme os últimos resultados da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura – PEVS, publicados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dos 77 milhões de metros cúbicos produzidos no País, Três Lagoas produziu 2,1 milhões de metros cúbicos, o que correspondem a 2,9% da produção total no cenário nacional.  Entram nesse ranking também outros munícipios do estado: Brasilândia (2,1%), Ribas do Rio Pardo (2,1%), Água Clara (2,0%) e Dois Irmãos do Buriti (1,1%).

Em 2016 a receita com as exportações de produtos florestais somou US$ 993,7 milhões, alta de 102% em quatro anos, correspondendo ao segundo item principal na pauta de vendas internacionais do agronegócio sul-mato-grossense, perdendo apenas para a soja que somou US$ 1,17 bilhão.

“Os 18 novos cursos para o florestamento já foram lançados para todo o estado e agora estamos trabalhando com a mão de obra que já existe nas empresas do setor. Queremos capacitar as pessoas que ainda vão ingressar e também preparar aquelas que migram e deixam o serviço em busca de outro trabalho. O importante é que vamos aprimorar a mão de obra local sem precisar trazer pessoas de fora para trabalhar aqui”, afirma Terezinha.

Desde fevereiro o SENAR/MS vem qualificando trabalhadores de uma multinacional em Três Lagoas, são quase 500 operadores passando pelos cursos voltados para mecanização florestal. “Já recebemos um feedback sobre a diferença de quando começou o curso para hoje. Um exemplo é que foi percebida a diminuição na manutenção e prejuízo com a quebra das máquinas. Buscamos atender desde o pequeno produtor, que trabalha com um simples trator até as máquinas amarelas (patrola, esteira, pá carregadeira e escavadeira hidráulica) das multinacionais voltando toda nossa capacitação para a agricultura de precisão”, aponta a coordenadora educacional do SENAR/MS.

“O painel de qualquer máquina, de baixa ou de alta precisão, dá informações do que acontece com sua máquina e há uma dificuldade por parte dos operadores de interpretar essas simbologias universais. É preciso informação para evitar os riscos de quebra e aumentar a produtividade. Nosso objetivo é corrigir possíveis vícios dos operadores para evitar desgastes de máquinas e gastos desnecessários. A capacitação ensina desde como subir corretamente no trator à limpeza da máquina”, explica analista educacional do SENAR/MS, Elisa Rodrigues.

Até as florestas recebem adaptações para a parceria entre instituição e empresa. Enquanto o SENAR/MS oferece os instrutores, os empregadores fornecem a estrutura. Além das máquinas que ficam expostas no campo para o treinamento prático, as árvores dão espaço a contêineres que viram salas de aula para os trabalhadores, formando um centro de treinamento. “Isso vai muito além do maquinário, porque com essa capacitação o funcionário se sente valorizado. É uma grande motivação profissional e pessoal também”, reforça Terezinha Cândido.

Os cursos são divididos por módulos graduais e interligados, somando uma carga horária de 160 horas, e abrangem temas como: operação e manutenção preventiva e corretiva de tratores florestais; agricultura de precisão e piloto automático; implementos florestais; metrologia aplicada e entre outros. E as capacitações não param por aí, outro foco do SENAR/MS é na saúde do colaborador no trabalho com máquinas e equipamentos florestais por meio das normativas regulamentadoras – NR 12; NR 20; e NR 31.12 – que abrangem desde a segurança na operação até manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis.

“Nenhuma pessoa pode operar uma máquina sem que tenha, minimamente, um curso de NR 31.12 – Segurança e Saúde na Operação de Máquinas e Implementos Agrícolas – e a Carteira Nacional de Habilitação categoria ‘B’”, explica Elisa.

Ainda é cedo para saber do resultado da capacitação em mecanização florestal, mas o SENAR/MS já busca outras iniciativas. “É um projeto ousado que vem a somar com a economia e com o setor. Primeiramente estamos focando no maquinário e no operador e nesse meio tempo identificamos outros gargalos, por isso vamos planejar para o futuro novas capacitações no cultivo e colheita do eucalipto”, adianta a coordenadora educacional.

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“Agricultura digital é o conceito da cidade inteligente aplicado à agricultura. Ou seja, um ambiente onde tudo está conectado para tornar o dia a dia mais eficiente”, afirma o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Ricardo Inamasu, em entrevista ao Canal do Produtor TV.

O pesquisador falou da relação entre agricultura digital e de precisão, dos benefícios desse novo conceito para a produção sustentável e frisou que, por meio da agricultura digital, o produtor como gestor e empreendedor que é, terá mais condições de tomar as melhores decisões para seu negócio. “Quanto mais e melhores informações ele tiver, melhores serão as tomadas de decisões. Ou seja, acertará mais com intervenções muito mais adequadas.”

Assista abaixo a entrevista do pesquisador na íntegra: