Agricultura de precisão

SENAR

Por Jacto*

O crescimento acelerado e ininterrupto da população mundial e o debate cada vez mais acalorado sobre a importância da alimentação saudável impõem, indiscutivelmente, muitos desafios ao setor agrícola. A garantia de uma produção suficiente e diversificada, o aumento do interesse pelo consumo de frutas, legumes e hortaliças e a mitigação do desperdício de produtos são apenas alguns deles.

Para superá-los, é preciso inovar, criando ou atualizando técnicas capazes de otimizar a produção e garantir mais eficiência e rentabilidade a produtores rurais. Muitas iniciativas já estão sendo tomadas nesse sentido e a proposta deste post é apresentar as principais tendências para a agricultura nos próximos anos, que prometem revolucionar os processos envolvidos na atividade agrícola do Brasil e do mundo. Confira!

1. Equipamentos autônomos
A automatização de processos, tão comum em diversas áreas de atuação empresarial, ganha cada vez mais espaço no mercado agrícola. Com o objetivo de otimizar o desempenho e proporcionar economia logística para empresários rurais, companhias de diversas partes do mundo estão investindo na construção de equipamentos autônomos, aptos a trazer para o campo maior produtividade e qualidade nas operações.

Bons exemplos dessas máquinas são os equipamentos sem cabine, guiados por sinal de GPS e controlados por meio de computadores, tablets ou smartphones. Quando fortalecerem sua operação — o que deve acontecer nos próximos anos — máquinas como essas, que têm capacidade para executar as mesmas tarefas de tratores convencionais, vão reduzir a necessidade de mão de obra qualificada e aumentar a produtividade nos campos.

2. Emprego de drones
Já pensou na possibilidade de conseguir acompanhar cada centímetro de uma plantação com facilidade? Pois saiba que essa é a principal prerrogativa do emprego de drones no âmbito da agricultura, que, sem a tecnologia, condiciona o monitoramento preciso da área plantada a um alto investimento — de tempo e dinheiro — por parte de gestores e produtores.

Os equipamentos, que já contam com modelos de preços, características e funcionalidades variadas, proporcionam uma visão completa do campo, garantindo assim mais eficácia na produção. Os drones podem ser usados no acompanhamento do desenvolvimento da plantação, na detecção de pragas, doenças e focos de incêndio e na demarcação de áreas para novos plantios, entre outras atividades.

Já bastante adotados em áreas como engenharia, segurança e produção audiovisual, tais equipamentos devem ter seu uso altamente difundido entre produtores rurais nos próximos anos. Por isso, estão entre as principais apostas do setor agrícola até 2020!

3. Monitoramento a distância
Complementando os tópicos anteriores, surge mais uma relevante inovação capaz de otimizar o desempenho de empresários rurais: o monitoramento a distância. Além dos drones, o mercado já conta com diversos sistemas que permitem ao agricultor monitorar sua plantação sem estar fisicamente nela, usando para isso um computador ou até seu próprio celular.

Uma boa prática disponível no país nesse sentido diz respeito a um sistema de telemetria voltado para o acompanhamento, em tempo real, das operações agrícolas no que diz respeito à pulverização. A ferramenta atua no gerenciamento da qualidade e do rendimento operacional da atividade e conta com máquinas que enviam informações para o servidor de forma automática. Por meio do sistema, os dados podem ser acessados pelo produtor em tempo real.

4. Compromisso com sustentabilidade
É simplesmente impossível falar em futuro sem abordar a questão da sustentabilidade. Centros de pesquisa do Brasil e do mundo estão investindo na busca por métodos produtivos cada vez mais sustentáveis, já que, com uma desordenada exploração de recursos naturais, a riqueza do patrimônio ambiental mundial tende a ser colocada em risco.

Sob essa perspectiva, podemos citar medidas que envolvem a otimização do uso de água, a adequada aplicação de insumos e cuidados voltados para a minimização de impactos ambientais. Como já abordamos neste post, a tecnologia é uma importante aliada de produtores rurais nesse sentido. Com ela, a sustentabilidade deve se fortalecer, assumindo novos traços até 2020.

Diversas ferramentas vêm sendo desenvolvidas em prol da sustentabilidade nas plantações. Uma delas é um sistema de controle automático bico a bico de pulverização, que ajuda a reduzir a sobreposição e as falhas na aplicação de defensivos agrícolas, minimizando os desperdícios. O sistema funciona a partir do acionamento automático do comando eletrônico do pulverizador, que dá início à atividade assim que o equipamento entra na área a ser tratada, paralisando o funcionamento quando sai do talhão ou passa por onde já houve aplicação.

5. Crescimento do mercado de produtos rastreados
O fortalecimento da união entre a automação de processos e um bom sistema de rastreabilidade representa mais uma importante aposta para o mercado agrícola. Medidas que possibilitam o controle e o monitoramento do trabalho de unidades produtivas, processadoras ou distribuidoras de produtos agrícolas asseguram a boa procedência dos insumos e garantem qualidade ao produto final. Por isso, precisam entrar, de vez, no foco dos produtores rurais.

Já há, inclusive, algumas políticas governamentais e privadas nesse sentido, como é o caso do Programa de Monitoramento e Rastreabilidade de Alimentos (RAMA). Coordenado pela Associação Brasileira de Supermercados, em parceria com a Anvisa e com o Ministério da Agricultura, o RAMA atua desde 2013 no monitoramento e na rastreabilidade de frutas, legumes e verduras, controlando a quantidade e a qualidade de defensivos agrícolas usados desde a produção dos alimentos até o ponto de venda.

6. Fortalecimento da biotecnologia
Diante de uma população mundial que não para de crescer e do aumento progressivo da preocupação da sociedade com a qualidade dos produtos consumidos, é imprescindível criar alternativas para aumentar a produção de alimentos e de energia renovável, preservando os recursos naturais disponíveis. É exatamente aí que as inovações promovidas pela biotecnologia entram em cena.

Por mais que a aplicação da ciência na agricultura não seja nenhuma novidade, os profissionais da área têm, cada vez mais, descoberto novas técnicas — muito além da transgenia — capazes de otimizar o potencial produtivo do setor agrícola. A biotecnologia tem sido usada para fortalecer o conceito de sustentabilidade na agricultura, já que dela provém a criação de métodos para produção de plantas empregadas na geração de biocombustíveis.

7. Agricultura x medicina
No entanto, a biotecnologia não é a única ciência empregada no setor agrícola. Popularmente conhecido como “médico da terra”, o agrônomo é responsável direto pelo desenvolvimento, pela aplicação e gestão de produtos utilizados para o controle de pragas e doenças e para o desenvolvimento mais saudável das plantas. Essa analogia deve fazer ainda mais sentido até o fim da década, com a medicina entrando de vez nos campos de produção.

Algumas tecnologias usadas para o tratamento de doenças humanas já começam a ser aplicadas no setor agrícola e a aposta é que, até 2020, a relação entre medicina e agricultura se fortaleça ainda mais. Uma das inovações nesse sentido diz respeito ao processo de encapsulamento de defensivos agrícolas, que os tornam mais eficazes no controle e combate a pragas e doenças.

8. Agricultura de precisão
Se precisássemos resumir todos os tópicos abordados neste post em um único item, não restariam dúvidas quanto ao termo utilizado: agricultura de precisão. Esse conceito abrangente e multidisciplinar reúne um conjunto de técnicas voltadas para o gerenciamento agrícola que não muda apenas o jeito de produzir insumos na agricultura, mas também a maneira de se pensar sobre o assunto.

Hoje, principalmente no mercado agrícola brasileiro, as soluções de agricultura de precisão disponíveis estão voltadas para a pulverização, a colheita e a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxas que variam de acordo com as características da cultura. Mas a metodologia vai muito além disso! Envolve procedimentos que levam em conta a variabilidade espacial das lavouras em todos os seus aspectos: produtividade, características do solo, infestações de pragas e doenças, entre outros.

Aliada à tecnologia cada vez mais inovadora do mercado agrícola, a tendência para os próximos anos é que a agricultura de precisão deixe de ser um método opcional, que apenas complementa técnicas já existentes, para se consolidar como uma nova forma de gestão. Lembre-se: a agricultura de precisão tem potencial para transformar a cultura da produção agrícola e atingir níveis de otimização dos processos nunca antes imaginados!

Se você também acredita que as técnicas mencionadas aqui serão capazes de promover transformações e inovações no mercado agrícola nos próximos anos, não deixe de compartilhar este conteúdo em suas redes sociais! E então, quais são suas apostas?

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Por Embrapa Uva e Vinho*

Zoneamento de vinhedo.

Na primeira semana de julho, a Serra Gaúcha reuniu os principais técnicos brasileiros que estão envolvidos com a Agricultura de Precisão durante o II Workshop de Agricultura de Precisão na Fruticultura e Vitivinicultura, na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, RS.

Promovido pela Rede de Agricultura de Precisão da Embrapa (Projeto Agricultura de Precisão (AP) para sustentabilidade do sistema produtivo agrícola, pecuário e florestal brasileiro), o evento possibilitou o intercâmbio entre a pesquisa, produtores e fornecedores de equipamento e levantamentos de demandas. “A expectativa é que o setor produtivo entenda as possibilidades e a grande ferramenta que é a AP; quando surgir a demanda, nós vamos ter resposta pronta e isso também vai impactar positivamente”, projeta Luciano Gebler, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.

Agricultura de precisão é um conjunto de técnicas de apoio à agricultura na qual se utiliza de tecnologia de informação, sensores, mapas, baseando-se no princípio da variabilidade da planta frente ao solo, clima e práticas agrícolas. A partir de dados específicos de áreas geograficamente referenciadas, implanta-se o processo de automação agrícola, dosando-se adubos e agrotóxicos, bem como irrigação. A agricultura de precisão também pode auxiliar a gestão do sistema de produção e a tomada de decisão pelo produtor sobre a área de manejo, como combate às doenças.

Na avaliação de Ricardo Yassushi Inamasu, pesquisador da Embrapa Instrumentação e coordenador Rede de Agricultura de Precisão, a maior dúvida é o momento certo para usar a ferramenta. ”O primeiro passo é encontrar as diferenças que existem na lavoura, entender essas diferenças e conseguir extrair o melhor disso. Tem regiões que o tipo do solo, a própria característica é difícil de você extrair, e requer menos insumos. Se pode reduzir o insumo e manter a produtividade, por exemplo.”

Uma opção viável são os drones conforme Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação, acredita que os drones são “uma nova ferramenta, uma ferramenta fácil de estar sendo acessada pelo produtor, a um custo razoável, que você consegue monitorar o campo de forma completa”.

Rosemary Hoff pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho e coordenadora do evento considera que “a tendência na questão do uso de drone é a mais difundida, além do uso de sistemas computacionais para gestão do agronegócio, como na gestão vitícola, usando sistema de informação geográfica, imagens de satélite, imagens aéreas captadas por drones. Penso que está aumentando a demanda por esse tipo de equipamento. Existem empresas que prestam consultoria nessa área, tanto para pesquisa quanto para empresas que estão disponibilizando comercialmente aos produtores.”

Uma boa novidade para os produtores foi a divulgação da Inovagro, a linha de crédito para compra de equipamento de agricultura de precisão. Se o custo para investimento na AP é alto, por outro lado, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) possui uma linha de crédito para os produtores que quiserem investir em Agricultura de Precisão. Está aberta para o Brasil todo, disponível 1 milhão e 600 mil reais por produtor, por CPF. Essa linha de crédito é para a aquisição de produtos de agricultura de precisão e permite que o produtor possa pagar até 5% do valor do projeto para o profissional responsável também através do financiamento. “Esse ano a linha Inovagro está com uma taxa de juros 6,5% ao ano, em comparação ao ano passado que era 8,5%. Então o governo baixou 2% para incentivar essa aquisição de tecnologia para os produtores. Tanto para o pequeno, médio e grande produtor”, diz Fabrício Juntolli, do MAPA.

Outra alternativa apresentada é direcionada aos pequenos produtores, através das cooperativas. Se uma cooperativa ou uma associação de produtores comprar um drone vai ser muito mais barato do que cada um comprar o seu; sendo compartilhado tem mais condições para que um técnico acompanhe o processo e seja melhor utilizado. “A recomendação é que o produtor tenha bastante controle da sua cultura, através de anotações, registro das ocorrências durante a safra, entressafra, época de dormência, porque tudo isso ajuda a aplicar técnicas de agricultura de precisão e saber por que estão ocorrendo tais fenômenos”, completa Hoff.

Durante o Workshop, o produtor pode conhecer de perto os usos e pesquisas sobre a AP. Para Tiago Tonini, enólogo e produtor vitícola “Esse tipo de tecnologia desencadeia um processo novo para poder trabalhar, diminuir os custos com pesticidas. É uma ótima experiência para se entender a realidade que está chegando até nós.”

Gebler considera que “ainda falta serem estabelecidos parâmetros mínimos para a introdução da Agricultura de Precisão na fruticultura em áreas produtivas que ainda não a utilizam; organizar o manejo de AP em áreas que já o iniciaram e contribuir para a organização do sistema de trabalho e padronização de ações, processos e equipamentos, dando as bases para a consolidação da Fruticultura de Precisão no Brasil, esta foi a avaliação final do evento”. Sobre o II Workshop de Agricultura de Precisão na Fruticultura e Vitivinicultura Gebler acredita que atingiu plenamente seus objetivos. O próximo encontro de agricultura de precisão está previsto para daqui a dois anos e pretende se tornar periódico.

 

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Turma de instrutores na Stara em Jataí (GO).

SENAR iniciou, em parceria com a empresa Stara, uma rodada de capacitações para instrutores que atuam com agricultura de precisão nos estados. Estão previstas cinco turmas de capacitação com a participação de 60 instrutores de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O grande ponto desse ano são dois novos equipamentos, um para plantio, indicado para o cultivo do milho, soja e algodão, e o outro que congrega a distribuição de fertilizantes e a pulverização de produtos químicos na mesma máquina.

“A opção de distribuição de fertilizantes e pulverização em uma mesma máquina é um atrativo para os produtores rurais. A utilização desse equipamento levando em conta as técnicas da agricultura de precisão traz muitos benefícios não só para ganhos de produtividades, mas também para reduzir o desperdício dos insumos e consequentemente reduzir os impactos ambientais,” destaca o coordenador do programa, Rafael Diego da Costa, que está acompanhando de perto as capacitações. Na última semana, ele esteve em Jataí (GO).

 

Por Grupo Cultivar*

Foto: Valtair Camachio/Embrapa Uva e Vinho

Começou no dia 5 e segue até sexta-feira, 7, o II Workshop de Agricultura de Precisão na Fruticultura e Vitivinicultura, na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, RS. A Rede de Agricultura de Precisão da Embrapa apresentará os avanços e as possibilidades que o uso dessa tecnologia traz para a área agrícola. O evento ainda está com as inscrições abertas no endereço https://www.embrapa.br/uva-e-vinho/wap.

Segundo Rosemary Hoff, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho e coordenadora do encontro, a agricultura de precisão (AP) é relativamente nova e compreende o uso integrado de informações e tecnologias para o planejamento e gerenciamento de um cultivo agrícola, levando-se em conta a variabilidade dos fatores de produção de uma cultura no espaço e no tempo. A fruticultura de precisão começou com trabalhos na citricultura e na viticultura para a elaboração de vinhos, mas demorou a se tornar aplicável à atividade agrícola em geral, pois são necessárias extensas pesquisas e testes. “Após uma década, já temos técnicas, softwares e equipamentos adaptados para o uso de fruticultores no Brasil, como sensores de campo e geotecnologias, que com certeza farão a diferença para os produtores”, avalia a pesquisadora.

Conforme Luciano Gebler, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, e organizador do evento, “o workshop visa trazer a essas áreas produtivas a possibilidade de ampliar sua capacidade de organização, de produção e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos ambientais causados tradicionalmente pela atividade agrícola”. Segundo sua análise, o encontro irá possibilitar o conhecimento sobre novas tecnologias que serão apresentadas por pesquisadores que trabalham com fruticultura e vitivinicultura de precisão no Brasil, dando a chance de aproximar o setor produtivo da pesquisa.

A AP pretende alavancar a organização do setor da fruticultura, em especial da maçã, permitindo gerenciar a variabilidade espacial das áreas produtivas. Ela pode ser aplicada em propriedades de qualquer tamanho, através da organização e coleta de dados no campo e geração de informações.” Será uma grande ferramenta para aumentar a eficiência do setor, principalmente em fatores chave como manejo do ambiente produtivo e uso de mão de obra, auxiliando o produtor na tomada de decisão. A agricultura de precisão visa o gerenciamento mais detalhado do sistema de produção agrícola como um todo, não somente nas aplicações de insumos ou de mapeamentos diversos, mas dos processos envolvidos na produção. Esse conjunto de ferramentas para a agricultura pode fazer uso do GNSS (Global Navigation Satelite System), do SIG (Sistema de Informações Geográficas), de instrumentos e de sensores para medidas ou detecção de parâmetros ou de alvos de interesse no agroecossistema (solo, planta, insetos e doenças), de geoestatística e da mecatrônica.

Mas a AP não está relacionada somente ao uso de ferramentas de alta tecnologia, pois os seus fundamentos podem ser empregados no dia a dia das propriedades pela maior organização e controle das atividades, dos gastos e produtividade em cada área. O emprego da diferenciação já ocorre na divisão e localização das lavouras dentro das propriedades, na divisão dos talhões ou piquetes, ou simplesmente na identificação de “manchas” que diferem do padrão geral. A partir desse ponto de vista, o tratamento diferenciado de cada área já é a aplicação do conceito de AP.

O sensoriamento remoto, por exemplo, utiliza-se de imagens de satélite e modelos de elevação que são feitos por imagens de radar que se conseguem gratuitamente e também com sensores de campo, tipo espectrorradiômetros. “Essa é uma área que a Embrapa Uva e Vinho trabalha em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Unisinos. Esses sensores de campo simulam o que os satélites captam, como os sensores de NDVI. O sistema de informação geográfica por sua vez é um sistema que permite colocar em mapas, as informações geradas durante a ida a campo, pesquisas e controle das culturas. Na viticultura e na fruticultura, no caso da maçã, essas duas grandes áreas técnicas (sensoriamento remoto e o SIG) têm que controlar a cultura geograficamente no tempo e no espaço, dentro de uma parcela, e entre parcelas através da captação de imagens frequentes, acompanhando o ciclo fenológico da cultura”, completa Hoff.

As atividades de pesquisa para o vinho com AP iniciaram em 2010, através de uma pesquisa sobre o georreferenciamento das videiras no Vale dos Vinhedos. Determinação dos perfis e análises de amostras e condutividade elétrica do solo, índice de vegetação por diferença normalizada, clorofila das folhas, análise de minerais dos pecíolos, composição físico-química do mosto da uva e do vinho, características sensoriais do vinho e vigor da planta. Parte dos resultados foi espacializada, mas há outros ainda a ser contemplados. Dentro desse trabalho, alguns resultados prévios foram obtidos pelos pesquisadores de duas unidades da Embrapa (Embrapa Uva e Vinho, Alberto Miele e Embrapa Clima Temperado, José Maria Filippini Alba e Carlos Alberto Flores, este último hoje aposentado) que analisaram o solo em 10 unidades de mapeamento no Vale dos Vinhedos da empresa Miolo.

Além de palestras, o evento também contará com uma visita técnica ao Vale dos Vinhedos e demonstração de equipamentos, que poderão ser utilizados pelos produtores, como drones e sensores para agricultura. O evento visa também divulgar o trabalho de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias desenvolvido pela Embrapa e demais instituições parceiras e informar sobre as ações de apoio e incentivo disponibilizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na área.

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Por SENAR Brasil*

O SENAR vai atualizar o Programa Nacional de Agricultura de Precisão. Na quinta-feira (29), profissionais das Administrações Regionais de Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul se reuniram com a equipe técnica do SENAR Brasil, para propor melhorias para o programa, como atualização do material didático, inclusão de novos temas nas capacitações e treinamento de instrutores.

Segundo Andrea Barbosa Alves, chefe do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) do SENAR, os programas de irrigação e de agricultura de precisão são estratégicos para a casa. “Esse momento é para ouvirmos vocês e entendermos o que é preciso para melhorarmos o programa de AP. Precisamos deixar de fazer apenas capacitações e levar também soluções para o produtor rural. Se a solução for criarmos novos cursos dentro do programa, é o que faremos”, ressalta.

Cada técnico apresentou o andamento do programa e as iniciativas que deram certo nos estados. Em Mato Grosso, por exemplo, a Regional já desenvolve uma capacitação voltada à operação de drones. A procura pelo treinamento foi tão grande que será expandido para todo o estado. Anteriormente era ofertado apenas nos Centros de Capacitação em Sorriso e Campo Novo dos Parecis. “Foi uma sugestão do Instituto Federal de Mato Grosso durante um dia de campo. Eles nos perguntaram por que o SENAR não oferecia curso de drones, tecnologia que está sendo muito demandada. Então investimos e hoje o curso é um sucesso, inclusive, vamos abrir para os sindicatos rurais também”, conta Samantha Sousa Garcia.

A capacitação com esse enfoque agradou o grupo e a ideia é pensar em como incluir posteriormente um módulo sobre o equipamento no programa nacional de AP.

Para Alexandre Prado, do SENAR Rio Grande do Sul, a oficina vai ajudar a intensificar o debate para fazerem um trabalho integrado na atualização do programa. Ele enumerou alguns pontos que contribuem para o sucesso da agricultura de precisão no estado, como a realização de capacitações voltadas para as propriedades, ou seja, com apenas os trabalhadores rurais daquela fazenda. “Com uma turma menor, de quatro participantes, o envolvimento na parte prática é maior e conseguimos atender à realidade de cada produtor,” argumenta Prado. “Sensibilizamos o produtor mostrando para ele a economia que terá com a agricultura de precisão”. O estado é pioneiro na oferta de capacitações na área e serviu como guia para a criação do programa nacional. De 2012 até o 1º semestre deste ano, a Regional realizou 59 turmas de AP e sete estão em andamento.

Em Goiás, o programa existe desde 2015 e enfrenta a concorrência das concessionárias de máquinas agrícolas, observa Samanta Andrade. “Estamos no processo de fortalecer a percepção do SENAR junto ao produtor como entidade credenciada para ofertar agricultura de precisão, porque atualmente ele procura por consultorias particulares, inclusive das próprias concessionárias, para se capacitar ou aos operadores de máquinas da sua propriedade.”

Além das questões citadas, o grupo também debateu a ampliação do programa para ofertar capacitações que atendam diversas culturas como o setor florestal e outras regiões do País como Norte e Nordeste. “Precisamos pensar nas necessidades do produtor. Ele se capacita, aprende a usar a máquina, mas depois não sabe o que fazer com os dados que coletou. Precisamos atender essa demanda também, pensar em incluir no programa a gestão desses dados para o produtor aplicar na propriedade e enxergar os resultados que a agricultura de precisão traz para o negócio dele”, avalia o coordenador do programa no SENAR Brasil, Rafael Diego da Costa.

A Coordenação de Produção e Distribuição de Materiais Instrucionais também participou da oficina. Depois das definições quanto às atualizações do material didático, será a vez da equipe iniciar a elaboração das novas cartilhas do programa.

O grupo vai seguir com o trabalho de levantar os conteúdos que estão faltando nas cartilhas para atualização e, depois, vai analisar as capacitações para incluir os novos cursos, adianta Costa. “Daqui a 60 dias mais ou menos, vamos ter uma videoconferência para bater o martelo de tudo que vamos colocar em prática ainda este ano e o que vamos submeter à direção da casa para 2018”.