Agricultura de precisão

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Por Embrapa Informática Agropecuária*

Ferramenta de gestão territorial da região Amazônica brasileira, o Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal (Siageo Amazônia) foi atualizado e ampliado com dados completos dos nove estados brasileiros que o abrangem: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e o oeste do Maranhão. Em sua versão inicial, somente o Acre estava com informações completas. A capacitação de 150 técnicos do governo em sete estados permitiu expandir a base de informações para toda a região.

O Portal Siageo Amazônia é uma plataforma integrada de dados geoespaciais que pode ser acessada por qualquer pessoa interessada e é particularmente útil para pessoas e instituições que atuam em áreas relacionadas a planejamento territorial: agentes públicos, empreendedores rurais, agrônomos e diferentes esferas do governo. Lançado em setembro de 2015, o sistema disponibiliza na web diversas informações resultantes do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia Legal, como mapas de gestão, solos, geologia, cobertura vegetal e uso da terra, áreas protegidas, etc.

Agora com uma base mais completa de dados atualizados da região, qualquer pessoa pode usar o módulo bancário e carregar os dados de sua propriedade ou empreendimento que o sistema emite um relatório de análise espacial contendo subzonas de gestão, unidades de conservação, terras indígenas e solo (pedologia), indicando as áreas no mapa e as respectivas legendas. Esse recurso auxilia na tomada mais rápida de decisão pelos fazendeiros e empreendedores e também facilita análises para concessão de crédito rural pelos agentes do sistema financeiro.

O sistema beneficia especialmente os gestores, produtores e consultores ambientais. Um empreendedor pode, por exemplo, identificar rapidamente em que tipo de solo se encontra a sua propriedade ou a que distância se localiza determinada terra indígena ou unidade de conservação. Da mesma forma, o agente financeiro pode elaborar um relatório espacial referente às condições ambientais de uma fazenda para melhor análise sobre a concessão de crédito rural.

Para o pesquisador João Vila, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), o Siageo é uma ferramenta de planejamento e de conhecimento. “Para qualquer lugar da Amazônia Legal, com um simples clique posso saber qual é o tipo de solo e de vegetação desse ambiente e qual é o planejamento que o governo, em conjunto com a sociedade, indicou para a região. O Siageo traz esse conjunto de informações, de forma fácil e rápida, o que ajuda a fazer uma análise integrada e a decidir como produzir com segurança e menor impacto ambiental”, explica.

A ferramenta, um dos produtos do projeto “Uniformização dos ZEE da Amazônia Legal (UZEE-AML)”, valoriza as particularidades dos estados e dos municípios ao mesmo tempo que possibilita uma visão macrorregional. O sistema permite disseminar o conhecimento técnico sobre a Amazônia Legal e subsidiar a formulação e a implantação de planos, programas e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região.

Na visão do gerente de ZEE do Ministério do Meio Ambiente, Bruno Siqueira Abe Saber Miguel, um dos pontos fracos do Zoneamento Ecológico-Econômico era a ausência de disponibilização das informações geradas à sociedade. “A principal contribuição do Siageo foi tornar essas informações acessíveis aos diferentes usuários, sem nenhuma restrição de uso tanto para o governo quanto para a sociedade civil, e que eles possam se valer dessas informações para tomar melhores decisões sobre uso dos recursos naturais”, afirma o gerente.

A base de informações inclui dados sobre zoneamentos ecológicos-econômicos, solos, clima, vegetação, aptidões agronômicas e aspectos socioeconômicos, legais e institucionais que são úteis aos gestores públicos, instituições de fomento e secretarias de estado e municipais, constituindo-se no mais completo e acessível portal de dados geoespaciais da Amazônia Legal. Com isso, é possível conhecer melhor o território amazônico, avaliar potencialidades produtivas e estimular a preservação ambiental.

Acesso on-line e gratuito

O Siageo é um sistema on-line gratuito e de fácil acesso, podendo ser consultado na internet a partir de um simples cadastro. Outra vantagem é que não há necessidade de o usuário instalar ou manter qualquer software em seus computadores. É preciso apenas um microcomputador com navegador e internet para usar as funcionalidades do sistema, que é interativo e possibilita a visualização e o download de mapas georreferenciados.

A plataforma é dividida em seções: Atlas, WebGIS, Relatórios, Publicações e Projeto UZEE. Nelas, é possível realizar consultas espaciais com base em qualquer uma das camadas temáticas disponíveis no catálogo do Siageo, como áreas protegidas, indígenas e outras relacionadas à gestão territorial. Ainda podem ser obtidos relatórios com as análises espaciais, além de mapas gerados de acordo com a solicitação de cada usuário.

Desenvolvido pela Embrapa, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Siageo é um dos resultados do projeto de pesquisa UZEE-AML, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental (PA). Conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa também busca atender à Lei do Acesso à Informação, que garante aos cidadãos o direito a informações produzidas ou detidas pelo governo.

“O Siageo é uma importante plataforma para acesso aos dados do zoneamento”, conta Átila de Araújo Magalhães, chefe da Divisão de ZEE da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Acre. “Os técnicos do estado terão acesso a dados úteis nas atividades pré-campo e poderão fazer um planejamento adequado, já que esses são dados fidedignos e homologados sobre o território”, explica. Além disso, o governo e a Embrapa promovem capacitações para que esses técnicos também possam multiplicar o conhecimento sobre a tecnologia para outros profissionais.

Zoneamento Ecológico-Econômico

O ZEE é um instrumento criado para orientar políticas públicas relacionadas ao planejamento, uso e ocupação do território. Os dados gerados pelos estados da Amazônia Legal durante a elaboração de seus zoneamentos alimentam o Siageo, que conta com a parceria de secretarias de meio ambiente, planejamento e desenvolvimento regional nas nove capitais da região amazônica.

Esse instrumento é essencial para a definição de estratégias compartilhadas de gestão do território entre o governo e a sociedade. Por isso, o ZEE considera as potencialidades e limitações do meio físico, biótico e socioeconômico, tendo como eixo norteador os princípios do desenvolvimento sustentável. A intenção é racionalizar o uso do território e organizá-lo em torno de premissas ambientais, econômicas e sociais que respeitem e valorizem a vocação da Amazônia Legal.

O trabalho da Embrapa apoia os governos estaduais na elaboração do ZEE. “A Embrapa tem uma grande base de dados da região, já que estamos presentes em todos os estados da Amazônia Legal. Isso permite que a nossa rede dê apoio à execução desse trabalho tão importante para a região amazônica, para o Brasil e para o mundo”, comenta o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri.

O ZEE integra os potenciais natural e socioeconômico da região amazônica, possibilitando a identificação das melhores áreas para produção e das áreas degradadas que demandam recuperação. “O ZEE permite a formulação de uma série de políticas de desenvolvimento sustentável, proteção dos recursos naturais e recuperação ambiental. Também permite que os produtores tenham mais acesso a crédito e mais segurança no investimento”, completa Venturieri.

Na Fazenda São João, em Senador Guiomard, município do interior do Estado do Acre, os cultivos de café, milho e seringueira, a criação de gado, a área de reserva e as demais atividades estão cada qual no seu lugar, segundo o produtor rural João Evangelista Ferreira. “A gente vivia desorientado e agora temos o zoneamento; nós estamos organizando as coisas e isso vai ajudar a melhorar mais”, conta o produtor, que possui financiamento governamental. “Além de preservar, a gente está tentando conviver melhor com a natureza”, diz.

No Acre, a ferramenta é adotada pelo governo como principal instrumento de planejamento e gestão territorial. O objetivo é impulsionar a implantação de um modelo de desenvolvimento sustentável, que envolva o combate à pobreza, aumento do bem-estar da população e geração de emprego e renda. Outros pontos de destaque são o fortalecimento da identidade cultural acreana e a manutenção do equilíbrio ambiental.

“O Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre é uma referência para todos os programas e projetos que estamos implantando no território, seja na área de produção, seja na área ambiental, seja na área de terras”, afirma o secretário da Sema Acre, Carlos Edegard de Deus. “O Siageo veio como um instrumento importante porque permite dar dinâmica ao zoneamento, na medida em que se tem os diagnósticos e os prognósticos; à medida que se vai fazendo os projetos e os planos, pode-se estabelecer os limites e as possibilidades concretas de usar o território de uma forma sustentável.”

O ZEE facilitou a construção do zoneamento pedoclimático da banana e do café no estado, contribuindo para diminuir os riscos climáticos e pedológicos da condução destas culturas de grande importância para a economia acreana. A Embrapa Acre (Rio Branco, AC) ajudou nos estudos temáticos e na construção da metodologia, além de participar da coordenação dos estudos de recursos naturais, do comitê técnico de sistematização e como membro dos conselhos de meio ambiente, florestal e de desenvolvimento rural.

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Por Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Soja*

O arranjo espacial de plantas, ou seja, a forma como as plantas são dispostas na área, pode influenciar diretamente nos resultados de produtividade das lavouras. Esse arranjo é definido pela densidade de semeadura (plantas por hectare), pelo espaçamento entre as fileiras e pela uniformidade de distribuição de plantas dentro dessas fileiras. O uso de cultivares de soja com tipo indeterminado e com arquitetura compacta de plantas tem aumentado nos últimos anos, estimulando a avaliação de arranjos alternativos, como a semeadura cruzada, a fileira dupla e o espaçamento reduzido.

Estudos indicaram que o arranjo que apresenta melhor resultados para soja de crescimento indeterminado é o de espaçamento entre 40 e 50 cm de distância entre as linhas. Ainda assim, os pesquisadores alertam para o fato de que o arranjo vai depender da cultivar selecionada e da época de semeadura.

A pesquisa coordenada pela Embrapa Soja intitulada “Novos sistemas de semeadura e arranjos de plantas para aumento da produtividade e sustentabilidade da cultura da soja” já foi concluída e encontrou respostas para alguns dos modelos de arranjos produtivos de soja que estão sendo testados por produtores. A pesquisa foi realizada em todo o Brasil e contou com a participação de diversas Unidades da Embrapa, além de parceria com universidades do País.

O líder do projeto Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja, explica que o arranjo pode alterar o crescimento da cultura, a incidência de estresses bióticos (plantas daninhas, insetos-praga e doenças) e abióticos (déficit hídrico, por exemplo), a qualidade das pulverizações, o acamamento e, consequentemente, a produtividade e qualidade dos grãos. Segundo ele, no Brasil, nas décadas de 1980 e 1990, foram conduzidos vários trabalhos com diferentes espaçamentos entre fileiras em soja. “Porém, após o ano 2000, poucas pesquisas foram conduzidas sobre esse assunto”, informa. Ele salienta ainda que esses trabalhos conduzidos há algumas décadas foram baseados em cultivares de soja com características distintas das utilizadas atualmente.

Assim, o pesquisador da Embrapa Soja destaca que os estudos sobre os arranjos espaciais das plantas são necessários e devem ser atualizados. “Estamos vivendo tempos em que as mudanças nas características morfofisiológicas das cultivares de soja e nas práticas de manejo são uma realidade. Além disso, temos um aumento da expectativa de produtividade de grãos, acompanhado de aumento do custo com sementes”, conta o especialista. Outro fator que justifica as pesquisas com espaçamentos, de acordo com o pesquisador, é a semeadura antecipada da soja, estratégia utilizada para reduzir a incidência de doenças e pragas no final do ciclo ou para semear o milho de segunda safra em sucessão à soja, o mais cedo possível.

“É importante considerar que o ajuste do espaçamento, fundamentado nas cultivares utilizadas e no ambiente de produção, pode conferir ganhos expressivos de produtividade, sem grandes alterações nos custos de produção e nos impactos ambientais decorrentes do cultivo da soja”, acrescenta Balbinot Junior.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, acrescenta que, na área de abrangência das pesquisas desenvolvidas pela Unidade, observam-se lavouras com formas inovadoras de arranjos, como a semeadura cruzada e espaçamento reduzido. “Modificar a forma de plantio, em alguns casos, pode conferir ganhos expressivos de produtividade, sem grandes alterações nos custos de produção e nos impactos ambientais decorrentes do cultivo. No entanto, esses resultados podem estar associados a outros fatores como as condições climáticas, proporcionando resultados diferentes de uma safra para outra”, disse ele.

Arroyo faz uma importante ressalva. “É interessante que o produtor faça testes em sua propriedade com arranjos de plantas, no entanto, muita cautela deve ser adotada, utilizando pequenas áreas para realizar esse tipo de teste. Esse é um papel da pesquisa, e a Embrapa está se dedicando para fazer isso, para que a recomendação seja a mais sólida possível, com grandes chances de ganhos de produtividade”, ressalta.

Criatividade em arranjos

Atualmente, uma nova modalidade de arranjo de plantas é o cultivo de soja com semeadura em “covas”, com sementes agrupadas, ou seja, o agricultor deposita de três a quatro sementes juntas, utilizando discos apropriados especialmente para essa finalidade. O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste explica que esse tipo de cultivo não é recomendado por enquanto, pois as pesquisas sobre essa forma de arranjo ainda estão sendo realizadas. “Não se sabe se esse modelo de implantação influenciará na fitossanidade da lavoura, seja de forma positiva ou negativa. Ou mesmo se o potencial produtivo será maior nessa forma de arranjo de plantas diferenciado. Porém, conforme as pesquisas vão sendo realizadas, devemos ter respostas seguras sobre esse formato de arranjo nas próximas safras”, informa o pesquisador.

Utilizada há algumas safras, a semeadura cruzada consiste na disposição das plantas de forma distinta. Em vez de plantar de forma linear, o cultivo é feito como se fosse um tabuleiro de xadrez, em que o produtor faz uma primeira passada da plantadeira e depois volta em sentido perpendicular. Esse tipo de plantio foi pesquisado pela Embrapa para avaliar a fitossanidade da lavoura, e os resultados mostraram que não houve alteração nesse item. “Em relação aos impactos na qualidade física do solo, a pesquisa observou impactos negativos consideráveis, visto que a máquina passa duas vezes no mesmo local, com maior chance de compactação do solo. Além disso, a viabilidade econômica foi bem inferior nesse tipo de arranjo”, acrescenta Arroyo.

Outros modelos de arranjos também foram pesquisados, como o espaçamento reduzido (20 a 30 cm entre fileiras). “Observamos que há maior dificuldade de manejo de algumas doenças e insetos-praga com a redução do espaçamento. Isso ocorre em razão do fechamento rápido das entrelinhas e da menor penetração da radiação solar e dos agrotóxicos em lavouras com espaçamento reduzido. Além disso, a redução do espaçamento na soja impossibilita o uso da mesma semeadora para o plantio do milho sem que haja necessidade de reposicionamento das linhas”, explica Balbinot Junior. Ele destaca ainda que, por outro lado, em alguns experimentos, ocorreram ganhos de produtividade com o uso do espaçamento reduzido. Esses resultados foram obtidos com o uso de cultivares com plantas baixas (altura inferior a 80 cm), com pouca ramificação e ciclo precoce (inferior a 110 dias entre a semeadura e a colheita).

Outro arranjo pesquisado é o denominado “fileira dupla”, que consiste em duas linhas espaçadas de 20 cm, seguido de um espaçamento de 60 cm, e retoma com duas linhas de 20 cm. “Acreditávamos que os resultados seriam interessantes, pois a fileira dupla permite trabalhar com uma população de plantas maior, sem problemas para fitossanidade e sem excesso de sombreamento. Mas observamos que nessa forma de arranjo o resultado favorável não foi observado em todas as lavouras nacionais, que os resultados variaram muito, dependendo das condições locais”, explica Arroyo.

Assim, o espaçamento ideal, de forma mais generalizada, seria o mais utilizado, com 45 a 50 cm de distância, com taxa de semeadura variável, dependendo da cultivar selecionada e da época de semeadura. “O produtor deve semear de acordo com as orientações fornecidas pelos obtentores da cultivar selecionada”, destaca Arroyo.

Soja de crescimento indeterminado

Arroyo explica que, no Brasil, o cultivo de soja de crescimento indeterminado começou a ter maior representatividade por volta dos últimos dez anos. “As cultivares comerciais desse tipo de variedade de soja vieram da Argentina e ganharam grande repercussão e expansão nas áreas de cultivo. Elas se adequaram muito em grandes regiões de produção de soja no Brasil, pois maior potencial de antecipação da semeadura da soja”, explica Arroyo. O pesquisador também destaca que a antecipação de semeadura deve ser adotada com cautela, pois não são todas as cultivares de crescimento indeterminado que toleram essa prática agrícola, o que pode resultar em plantas com porte pequeno e redução na produtividade.

Essas variedades de crescimento indeterminado que estão dominando o mercado apresentam grande potencial produtivo, além da inserção de diversas tecnologias. Além da produtividade, são bem mais precoces do que as cultivares mais antigas, com ciclos em torno de 100-120 dias em diversas regiões produtoras. No caso do Mato Grosso do Sul, a semeadura começa a partir de meados de setembro, com grande parte do milho safrinha sendo plantado no fim de janeiro e no mês de fevereiro, resultando em excelente potencial produtivo. “Quanto mais cedo o produtor fizer a semeadura do milho safrinha, menores são os riscos em relação a geadas e recursos hídricos”, explica Arroyo.

Cultivares indeterminadas ainda apresentam outras características distintas interessantes, explica o pesquisador. “Além da capacidade de crescimento após o início da fase reprodutiva. Parte dessas cultivares são menos engalhadoras, além de apresentarem menor área foliar no terço superior das plantas. Há considerável sobreposição das fases fenológicas, ou seja, em um determinado momento, a planta de soja está formando vagens, emitindo novas flores e expandindo novos trifólios, tudo ao mesmo tempo”.

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Por Embrapa Solos*

A Embrapa Solos (RJ), em parceria com a iniciativa privada, desenvolveu um pacote tecnológico destinado à análise de solos que irá revolucionar o mercado no Brasil. Denominado SpecSolo, ele tem a vantagem de analisar as amostras de solo de forma não destrutiva, rápida e econômica. Dezenas de parâmetros de fertilidade (carbono orgânico do solo, pH, cálcio, magnésio, fósforo, potássio dentre outros) e física do solo (argila, silte e areia) podem ser analisados simultaneamente em apenas 30 segundos. A análise convencional demora dias para apresentar os mesmos parâmetros.

“O SpecSolo é baseado no uso de técnicas de espectroscopia vibracional e de inteligência artificial”, detalha André Marcelo de Souza, pesquisador da Embrapa Solos e responsável pela tecnologia. Souza explica que a tecnologia lança mão de algoritmos precisos e eficientes. “Estes algoritmos”, explica o cientista, “usarão um robusto banco de dados, com mais de um milhão de amostras de solos representativos do Brasil”. Souza conta que as amostras e dados analíticos relacionados foram obtidos de um dos maiores laboratórios de análises de solos do mundo, o Instituto Brasileiro de Análises (IBRA), parceiro do projeto de desenvolvimento e corresponsável pela tecnologia.

“A solução analítica SpecSolo é uma das maiores inovações em análise de solos das últimas cinco décadas no Brasil, retomando a missão da Embrapa de propor e implantar novas metodologias em análise de solos no cenário agrícola brasileiro”, reitera o chefe-geral da Embrapa Solos Daniel Vidal Pérez. Tanto o instrumento quanto a tecnologia possuem a chancela da Embrapa. Portanto, o SpecSolo será mais um método oficial preconizado pela Empresa para análise de solos no Brasil.

Como funciona

Para a dupla de diretores do IBRA Armando Saretta Parducci e Thiago Parducci Camargo, a parceria entre a Embrapa Solos e o IBRA possibilitou o desenvolvimento da tecnologia. “Somos os pioneiros no Brasil em construir um banco de dados robusto com um número tão expressivo de amostras dos solos brasileiros, essencial para o desenvolvimento e sucesso da tecnologia”, diz Armando Parducci.

Além do numeroso banco de dados, o pacote tecnológico SpecSolo conta com um software hospedado na nuvem exclusivo para o processamento da informação e um equipamento inovador dedicado à análise de solos, denominado SpecSolo-Scan.

O equipamento possui um amostrador automático que permite análise simultânea de 40 amostras de solo e autonomia para trabalhar sozinho durante 20 minutos. Após esse tempo, os resultados analíticos são gerados automaticamente, acessando remotamente o banco de dados. Os resultados podem ser liberados de acordo com o serviço adquirido pelo cliente, podendo ser na forma de resultados analíticos de cada parâmetro do solo, ou por faixas de interpretação da fertilidade do solo.

O projeto ainda conta com um sistema especialista para gerar recomendações de adubação e calagem, segundo os principais manuais disponíveis no País. O SpecSolo-Scan é o primeiro instrumento comercial de espectroscopia no infravermelho próximo e visível (VisNIR) do mundo a apresentar um amostrador automático e um sistema integrado com banco de dados totalmente dedicado à análise de solos.

A versatilidade dessa tecnologia atende a diferentes públicos-alvo como laboratórios de analises de solo, cooperativas agrícolas, usinas de açúcar e álcool, órgãos de pesquisa e extensão rural, empresas de agricultura de precisão e consultores. “Programas do governo, como o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), e atividades relacionadas à caracterização e planejamento do uso da terra (levantamento de solos tradicional e digital) ganham eficiência com a adoção da tecnologia”, afirma o pesquisador da Embrapa Maurício Rizzato Coelho.

“A tecnologia irá permitir a substituição, com rapidez e precisão, dos métodos tradicionais em análise de solos, muitos deles poluentes ao meio ambiente, mitigando os impactos ambientais e diminuindo os custos dos laboratórios com o tratamento e destinação correta de resíduos”, afirma André Marcelo. Além disso, devido à sua versatilidade, produtores rurais que antes tinham dificuldade de conduzir análises de solos e, consequentemente, as recomendações de adubação e correção, passarão a ter fácil acesso à nova tecnologia. Em consequência, espera-se um aumento de produtividade dos sistemas de produção devido ao uso racional de corretivos e fertilizantes, com redução dos impactos ambientais e melhoria da qualidade de vida no meio rural.

“Qualquer laboratório de análise de solos do Brasil poderá usufruir dessa tecnologia, acessando o portal da SpecSolo (www.specsolo.com.br)”, revela a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Solos, Denise Werneck. A página contém um formulário para cadastro dos interessados.Receptividade

O pré-lançamento da tecnologia ocorreu no Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão (ConBAP), no começo de outubro, em Goiânia (GO) . “Foi evidente a aceitação do público: produtores rurais, representantes de laboratórios e consultores agropecuários se mostraram muito interessados na tecnologia e o equipamento se destacou”, revela Armando Parducci.

O lançamento do SpecSolo será no dia 20 de outubro, às 10h, durante o FertBio, congresso científico dedicado a pesquisas em fertilidade do solo, que também será realizado em Goiânia. O chefe-geral da Embrapa Solos, Daniel Vidal Perez, fará uma palestra que discutirá os novos rumos e possibilidades em análise de solos no Brasil, com ênfase na tecnologia SpecSolo.

Todos os produtos gerados pela parceria estão em processo de patenteamento, incluindo o equipamento, software e os modelos de negócio.

A análise de solos na agricultura

O solo é um recurso natural renovável que desempenha um papel fundamental na produtividade agrícola, pois carrega em sua composição os nutrientes essenciais para as plantas. Um solo fértil possui grande capacidade de fornecer água e nutrientes às plantas, mas sua fertilidade pode variar muito, em uma só propriedade agrícola. Por isso, o agricultor precisa conhecer os solos de sua lavoura, o que só é possível com a análise específica.

A análise do solo é uma das exigências das instituições financeiras para disponibilizar crédito agrícola e seguro safra ao agricultor, pois possibilita a avaliação dos riscos do negócio. Conforme o Manual de Crédito Rural (2010), para ter acesso a essas linhas de financiamento, o agricultor tem que apresentar laudos de análise de solo e da respectiva recomendação agronômica, e, a partir da safra 2013/2014, a análise inclui também o carbono total do solo.

Segundo o coordenador do Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade (PAQLF) da Embrapa Meio Ambiente (SP), o analista Marcelo Saldanha, existem no Brasil cerca de 250 laboratórios de análise de solos credenciados. Marcelo afirma que anualmente são realizadas aproximadamente quatro milhões de análises de solos no País. Entretanto, existe um potencial de oito milhões de análises. Pelo menos quatro milhões de análises deixam de ser realizadas devido à falta de divulgação, limitação de capacidade analítica dos laboratórios, longos prazos para liberação de resultados e à falta de laboratórios próximos aos polos agrícolas.

Análises de solo mais baratas

É nesse contexto que a tecnologia desenvolvida pela Embrapa se apresenta como uma solução para alavancar e democratizar as análises de solos no Brasil. “Mesmo nas regiões mais remotas do País, será possível utilizar o pacote tecnológico SpecSolo a um custo muito inferior de implantação e operação em relação a um laboratório tradicional”, assegura Thiago.

A estratégia de comercialização da nova tecnologia adotada permitiu ao IBRA criar o ibra-express. Nesse caso, as análises serão feitas pelo equipamento SpecSolo-Scan, e os resultados estarão disponíveis para o cliente em apenas algumas horas a partir da entrada da amostra no laboratório.

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Por SENAR-MT*

O uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs), mais conhecidos como drones, está crescendo cada vez mais na agricultura. O interesse crescente de produtores rurais pela tecnologia se explica pela influência positiva em dois fatores essenciais para a atividade: produtividade e custo. O equipamento capta imagens que permitem conferir in loco quais áreas têm doenças ou pragas.

Devido ao crescimento do uso destes equipamentos na agropecuária, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) formatou um treinamento voltado para a operação de drones.

Este treinamento será realizado exclusivamente nos Centros de Treinamento e Difusão Tecnológica de Sorriso e Campo Novo do Parecis a partir do próximo ano. (Sorriso – 66-99909-3753 – Campo Novo do Parecis – 66-99645-7916)

A carga horária é de 16 horas, sendo que 70% disso são de aulas práticas e para participar é preciso ter 18 anos e ensino fundamental completo. O treinamento, assim como todos os ofertados pelo SENAR-MT é totalmente gratuito.

Conteúdo – Serão abordados assuntos como definição do equipamento VANT; origem e evolução tecnológica dos VANTs; boas práticas para voo de drone; legislação vigente; regras da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC); componentes de um drone; utilizações de drones; função do drone na empresa rural; agricultura com uso da tecnologia de VANTs; drone na agricultura e uso de drone e prática: operação de drone.

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Por SENAR Brasil*

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) reuniu nesta sexta-feira (2), em uma videoconferência, os gestores do Programa Nacional de Agricultura de Precisão das Administrações Regionais para levantar as demandas para 2017 relacionadas a capacitações de instrutores, novas parcerias e material didático, além de ouvir os estados sobre sugestões de melhorias para o programa, possíveis ajustes na metodologia e adesão de novas Regionais.

O coordenador do programa no SENAR Brasil, Rafael Diego da Costa, apresentou aos gestores informações sobre o andamento do projeto e dados de uma pesquisa elaborada pela Embrapa Instrumentação durante os seminários de sensibilização do SENAR em 2012 que indicam, entre outras informações, as áreas onde o produtor mais utiliza agricultura de precisão. “São correção do solo, adubação, colheita, pulverização, semeadura e irrigação. Esse é o único estudo que existe no Brasil sobre o uso de AP por produtores rurais. Podemos usar essas informações para criarmos capacitações que atendem o produtor rural nessas áreas”, observa Costa.

Alguns gestores destacaram a importância da capacitação de instrutores e a necessidade de incluir no programa o quesito gestão. “Aparecem novas tecnologias todo dia, então, quanto mais capacitação o instrutor fizer, melhor, porque nem sempre com apenas um treinamento ele vai estar preparado para ministrar uma capacitação e nossos produtores estão cada vez mais exigentes”, pondera Alexandre Prado, do Rio Grande do Sul.

Rosana Rodrigues Rocha, do SENAR Mato Grosso, reforça o que foi dito por Prado e acrescenta que além de capacitado, o instrutor precisa ter conhecimento de todos os maquinários. “Percebemos que sem isso não há como ter eficiência na capacitação de produtores. Eles precisam saber de tudo relacionado aos equipamentos, inclusive, já estamos capacitando nossos instrutores na tecnologia dos drones.” Rosana propõe ainda que o programa de AP seja mais estratégico e foque na gestão dos dados coletados a partir das ferramentas de agricultura de precisão. “Isso será importante para ajudar o produtor na tomada de decisões. E uma ideia interessante, também, seria ele sair das capacitações com algum aplicativo que pudesse utilizar na propriedade”, sugere.

De acordo com Rafael Costa, coordenador do programa, essas mudanças pontuais podem ser feitas através da atualização do material didático. “Precisamos traduzir dentro do material como o produtor pode utilizar as informações adquiridas com agricultura de precisão. São sete cartilhas e podemos pensar, de repente, em incluir nelas conteúdo sobre gestão.”

Algumas Regionais destacaram o interesse de ofertar o programa de AP como Rio Grande do Norte, Amazonas e Santa Catarina. “Nós precisamos iniciar o treinamento de instrutores e se possível fazer um diagnóstico com os produtores para saber quem conhece e quem não conhece a agricultura de precisão. A partir daí poderemos capacitá-los,” afirma Rafaely Lameira, do SENAR Amazonas.

Ficou acordado ao fim da reunião que os próximos passos serão a elaboração de um termo de adesão para as Administrações Regionais que quiserem aderir ao programa e os encaminhamentos internos para reestruturação do material didático e para a criação de um sistema de monitoramento das capacitações em agricultura de precisão.